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O luto compartilhado nas redes sociais divide opiniões. Há os que defendam que a notícia do falecimento, o luto e as condolências são assuntos “sérios demais” ou “muito íntimos” para serem publicados em redes sociais, lugar onde geralmente compartilhamos conteúdo mais descontraído e casual. Outros, porém, dizem que as redes sociais são um espaço para anunciar, comunicar e publicar fatos importantes de nosso cotidiano. Sendo assim, a perda de um ente querido faz parte da vida e pode ser compartilhado digitalmente.

O que fazer com o perfil das redes sociais após a morte?

A internet e as redes sociais estão tão presentes nas nossas vidas que está cada vez mais difícil encontrar alguém que não possua um perfil em alguma rede social, independentemente da idade. Quando esta pessoa morre, qual deve ser o destino de seu perfil online? 

A maioria das redes sociais que conhecemos permitem o cancelamento da conta mediante apresentação do atestado de óbito e comprovação do grau de parentesco. É possível também transformar o perfil do falecido em um memorial, onde os amigos e familiares possam escrever mensagens, postar fotos e compartilhar seus sentimentos.

Aplicativos que permitem o cancelamento do perfil:

  • Google
  • Facebook 
  • Instagram
  • Twitter
  • LinkedIn 
  • Microsoft

Após o encerramento/cancelamento da conta devido a falecimento, toda a vida digital daquela pessoa se encerra, não deixando qualquer vestígio, ao menos publicamente, dos atos praticados pelo usuário.

Aplicativos que permitem a criação de um memorial:

  • Facebook 
  • Instagram

O perfil do usuário que faleceu não deixa de existir, mas passa por algumas mudanças e se transforma em um memorial. Não há mais solicitação de amizade ou informações de aniversários. A página só pode ser acessada por amigos e familiares do falecido.

Como transformar a rede social de um ente querido em um memorial?

Vá até a Central de Ajuda do Facebook e busque por “Solicitação de transformação em memorial”. Um breve texto explicará os detalhes do procedimento:

  1. Informar nome do falecido
  2. Preencher a data da morte
  3. Anexar uma cópia digitalizada ou foto do obituário, certificado de óbito ou outra documentação que confirme o falecimento.

Quem pode cuidar das redes sociais de alguém que morreu?

O Facebook oferece a possibilidade de nomear um responsável pela sua página memorial em caso de falecimento. O chamado “contato herdeiro” será o responsável por:

  • Escrever uma publicação fixada no seu perfil (por exemplo, para compartilhar uma mensagem final em seu nome ou fornecer informações sobre o funeral).
  • Ver publicações
  • Decidir quem pode ver e publicar homenagens, se a conta transformada em memorial tiver uma área para isso.
  • Excluir publicações de homenagens.
  • Alterar quem pode ver as publicações em que você está marcado.
  • Remover suas marcações publicadas por outra pessoa.
  • Atualizar a foto do perfil e a foto da capa.
  • Solicitar a remoção da conta.
  • Desativar a exigência de analisar publicações e marcações antes que apareçam na seção de homenagens, caso a análise da linha do tempo tenha sido ativada.
  • Baixar uma cópia daquilo que você compartilhou no Facebook, caso esse recurso esteja ativado.

O contato herdeiro não poderá:

  • Entrar em sua conta.
  • Ler suas mensagens.
  • Remover amigos ou fazer novas solicitações de amizade.

Se o titular da conta não tiver selecionado um contato herdeiro, ela não será administrada ativamente por ninguém após a solicitação de transformação em memorial.

A manutenção de um perfil e o processo natural do luto.

Segundo o psicólogo Rogério Oliveira, presidente do Conselho Federal de Psicologia, seria preciso fazer um estudo mais aprofundado para entender a mudança na forma de lidar com o luto em tempos de redes sociais, mas ele afirma que é possível tecer algumas hipóteses. 

Rogério defende que a manutenção de um perfil pode ‘atrapalhar’ o processo natural do luto. “Minha hipótese é de que a não colocação de um ponto final, tentar manter o personagem vivo nas redes, pode trazer um mal estar”, diz o psicólogo. Isso porque, segundo ele, é preciso ‘elaborar’ a perda, lidar com ela e avançar. 

A perspectiva se intensifica se olharmos para adolescentes enlutados na era das redes sociais. Jovens e adolescentes dominam as redes e passam horas conectados. Se uma mulher falecer e deixar filhos adolescentes que acessam as redes sociais e veem a ‘interação’ com a mãe, eles podem ter dificuldade de seguir em frente. “Na fase da adolescência é importante perceber que a pessoa se foi mesmo, para poder se constituir como sujeito”, afirma Rogério Oliveira.

Benefícios de compartilhar o luto nas redes.

Um estudo chamado “A expressão de pesar e luto na internet” realizado por estudantes da PUC-SP destacou alguns benefícios de compartilhar o luto nas redes. Segundo os estudantes, a utilização da rede social virtual foi importante ferramenta para a vivência do processo do sofrimento, pesar, perda e luto, agindo como um recurso, uma estratégia para o enfrentamento da situação. Esta prática contribuiu para diversos pontos a serem destacados: 

 

  • Facilitar o processo de comunicação entre familiares, amigos e conhecidos.
  • Diminuir a sensação de solidão e isolamento.
  • Fortalecer laços de amizade.
  • Reconhecer a rede social virtual como um espaço privativo, útil para a consolidação de uma rede de comunicação e apoio.
  • Desmistificar o uso de redes sociais enquanto espaços restritos para a vivência do lazer e entretenimento.

Como comunicar falecimento nas redes sociais?

Muito além das manifestações tradicionais, no espaço virtual, é possível que a mensagem de luto se manifeste por qualquer um, até mesmo por aqueles que não tenham nenhum conhecimento de quem seja a pessoa falecida, ou conheça sua família, ou saiba os motivos daquela morte. A velocidade de transmissão de informações por meio das redes sociais tem o poder de alcançar em poucos segundos inúmeras pessoas, tornando a propagação da notícia ainda mais rápida entre os usuários e rede de amigos. 

Com isso, dentre tantos usos e sentidos que as redes sociais atribuíram para o luto e a morte, tornar público esse momento pode assegurar manter viva a memória de uma pessoa que morreu por meio da lembrança coletiva.

Por outro lado, a atitude de tornar público pode ser associada ao fato de que a morte é uma questão que naturalmente desperta curiosidade, e quando partilhada no ambiente virtual tem o poder de transformar-se em espetáculo, através de likes, comentários e compartilhamento chamando ainda mais a atenção das pessoas para o acontecimento. 

Tornar a morte de alguém pública por meio das redes sociais não significa que a dor seja menor ou que a internet possa fazer bem para todos os enlutados. Mas, dependendo do uso e do significado que o usuário dá ao mundo virtual, ela pode ajudar no sofrimento causado pela perda.

Como expressar o pesar e cumprimentar a família enlutada?

Estamos todos conectados nas redes sociais e muito do que acontece em nosso dia a dia, reflete digitalmente. As mídias sociais podem ser um bom lugar para mostrar àqueles de luto que você está pensando neles. Fotografias são uma grande adição às condolências digitais quando possível. Ser capaz de ver o rosto de um ente querido novamente, mesmo que apenas em uma fotografia, tem a capacidade de trazer grandes memórias. Basta pensar na alegria que você tem quando vê uma foto de alguém que você ama, ou a emoção de ver uma foto antiga que você não se lembra de ter visto antes.

As demonstrações de carinho, as ofertas de ajuda com as atividades do dia a dia e todo o suporte será sempre lembrado com muita gratidão. Algumas atitudes podem tornar o processo de luto um pouco mais leve. Considere sempre seu nível de intimidade com o enlutado para que seu comportamento não seja invasivo e respeite sempre a vontade da pessoa em luto. 

Para saber mais sobre formas de enviar condolências, acesse nosso blog: https://cerejeiras.com.br/blog/maneiras-de-enviar-condolencias-apos-a-morte-de-entes-queridos/

Homem observando uma paisagem natural de montanhas e árvores no pôr do sol, em uma área tranquila ao ar livre.

O luto é inevitável pois a morte sempre será um evento humano e dificilmente estaremos preparados para lidar com ela e com suas intercorrências. O processo de luto está relacionado à experiência de perda (rompimento) de algo ou alguém com o qual se tem importante laço afetivo. Somos os únicos seres vivos que sabemos da nossa finitude.

O que os especialistas dizem sobre o luto?

Segundo Bowlby (1900) o processo de luto implica em duas mudanças psicológicas: 

  • Reconhecer e aceitar a realidade;
  • Experimentar e lidar com as emoções que estão em torno da perda. 

Contudo, é sabido que o luto não é só por morte física. Qualquer perda significativa e de grande vínculo emocional leva a um estado de luto.

O Dr. K. J. Doka (1989/2002) descreve um luto pouco estudado: o luto não reconhecido. Para ele, a definição de luto não reconhecido fala de uma perda não validada e que não pode ser aceita socialmente, abertamente reconhecida ou ter seu luto vivido publicamente. 

Luto não é apenas morte física: os diferentes processos de luto.

Além da morte física de um ente querido, temos inúmeras outras ocasiões de perdas/luto. São muitas situações em que o enlutado não é acolhido e validado como vivendo um rompimento afetivo e um processo de luto. 

Podemos destacar alguns grupos que enfrentam a falta de reconhecimento como pessoas que vivem o luto.  

Amigos, ex-cônjuge, amantes, parceiros homossexuais, filhos adotivos, animais de estimação. Este grupo tem em comum o fato do relacionamento (vínculo) não ser socialmente reconhecido, ou seja, a relação do enlutado com a pessoa perdida não é considerada como uma relação de forte vínculo afetivo por não ser baseada em relacionamento de parentes ou ligado à família no sentido tradicional.   

Aborto, perdas perinatais, neonatais, abandono, adoecimento, incapacidade física, aposentadoria, perda de emprego, término de vínculo (namoro, amizade, casamento etc.) mudança de país, mutilação, amputação. Por não se tratar de perdas tão concretas ou definitivas como a morte, essas experiências de perdas podem não ser consideradas socialmente significativas.

Luto por suicídio enfrenta barreiras na própria sociedade.

O luto por suicídio também é considerado por vários estudiosos como não reconhecido.  Apesar da morte física, ele é estigmatizado e marginalizado pelo social, o que acaba por dificultar o enfrentamento do luto da família que já tem um universo de perguntas, culpas e muitos problemas para resolver. 

Toda sociedade tem suas regras e rituais que regem e endossam o comportamento do enlutado e seus sentimentos dando a ele o status social de pessoa em luto.  

Lutos não reconhecidos são, portanto, perdas que ocorrem ao longo da vida e não têm espaço para que sejam elaboradas. Muitas vezes nem a própria pessoa que sofre a perda se permite vivenciá-la.

Processo de luto durante a pandemia sem os rituais de despedida.

Durante a pandemia acompanhamos muitos lutos não reconhecidos. A pandemia nos convoca a pensar em muitas perdas (simbólicas) e nos aproxima da morte física e de outras regras para enlutar-se (sem rituais) no novo contexto.

Protocolos de distanciamento, interrupção dos rituais de velório e sepultamento e impossibilidade de se despedir são fatores que tornam o luto não reconhecido, muitas vezes, um luto complicado que culmina em uma série de impactos para saúde física e mental, tais como: tristeza permanente, depressão, fadiga, ansiedade, insônia, irritabilidade/solidão entre outras manifestações. 

Considerações e dicas para enfrentar o processo de luto.

Você que está vivendo um luto neste momento precisa ter atenção em algumas situações: 

1 – Viver o luto é importante. Se os rituais que são “start” para esse processo não puderem ser realizados, façam alguma homenagem junto à família e amigos para permitir a concretude do fato. 

2 – Busque espaços e pessoas que possam validar seu luto sem julgamentos. 

3 – Busque grupos de apoio ao luto que lhe permitam se identificar como indivíduo que está em luto e compartilhar sua dor.

4 – Os grupos de apoio ao luto têm sido um rico canal de trocas e possibilidades seguras de expressões de emoções e de legitimar suas reações de luto.

5 – Escutar as experiências vividas por outros enlutados ajudará a organizar suas emoções e sentimentos. 

E, por fim, busque a intervenção terapêutica individual se não encontrar uma rede de suporte na família. Um dos propósitos da terapia de luto é acolher e promover uma conversa em que tudo aquilo que não foi autorizado, possa ser legitimado pelo terapeuta. 

Como afirma Casellato (2015), ao aceitar o luto do paciente, o terapeuta empaticamente encoraja e permite que ele consiga reconhecer e expressar seus sentimentos.      

Este texto foi desenvolvido pelo Centro de Psicologia Maiêutica em colaboração com o Grupo Cerejeiras

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O turismo em cemitérios, também conhecido como turismo funerário ou necroturismo, não é tão popular como os demais estilos de passeios, mas a atividade vem crescendo impulsionada principalmente pelos interessados em História, arte, arquitetura e cultura em geral. 

Mas não é só dos cemitérios tradicionais, com grandes construções, estátuas e mausoléus que estamos falando. Os cemitérios parques são espaços privilegiados que nos remetem a tranquilidade e convidam a refletir e desfrutar da paisagem repleta de contato com a natureza, fomentando também o necroturismo.

O que é turismo em cemitérios?

O foco do turismo cemiterial é explorar o patrimônio artístico, histórico e cultural dos cemitérios. A partir da visitação aos túmulos e outras construções funerárias, o turista se aproxima da memória de personalidades que marcaram a História.

Onde encontrar turismo de cemitério no Brasil?

  • No Brasil, três das principais cidades que divulgam o turismo cemiterial são Ouro Preto, Rio de Janeiro e São Paulo.

    O mais reconhecido é o Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, de que você pode ter ouvido falar como o “Cemitério das Estrelas”. Muitas pessoas vão ao cemitério para visitar os túmulos das celebridades. Lá estão enterrados Oscar Niemeyer, Carmem Miranda, Tom Jobim, Cazuza, Carlos Drummond de Andrade, Cândido Portinari, Santos Dummont e Luis Carlos Prestes. 

    Em Minas Gerais, no Museu da Inconfidência, na cidade de Ouro Preto, encontramos o Panteão dos Inconfidentes, onde estão os restos mortais dos mártires que se insurgiram contra a autoridade portuguesa durante a Inconfidência Mineira.

    Em São Paulo, no Cemitério da Consolação estão enterrados Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral, Ramos de Azevedo, Antoninho da Rocha Marmo, Mário e Oswald de Andrade. Nos mausoléus podemos encontrar obras de importantes escultores, como Victor Brecheret, Nicola Rolo, Luigi Brizzolara, entre outros. Fundado em 1858, o cemitério da Consolação oferece visitas guiadas, que podem ser agendadas com o Serviço Funerário do Município de São Paulo.

Turismo em cemitérios ao redor do mundo.

São muitos e de características variadas os locais que se destacam pelo turismo funerário ao redor do mundo. Revelam aspectos muito característicos da cultura das cidades e dos países onde se encontram.

Cemitério Père-Lachaise em Paris, França.

Pere Lachaise

A cidade que mais se destaca no necroturismo é Paris, expoente quando o assunto é arte, história e cultura. O Cemitério Père-Lachaise, o mais renomado de Paris, deve seu nome ao Padre François d’Aix de La Chaise, confessor do Rei Luís XIV da França. Considerado um verdadeiro museu a céu aberto, recebe aproximadamente 2 milhões de visitantes por ano. Possui muitos espaços verdes e abriga muitos túmulos de personalidades francesas e internacionais como Pierre Bourdieu, Jim Morrison, Oscar Wilde, Honoré Balzac, Fédéric Chopin, Maria Callas, Delacroix, Jaques-Luis David, Gerda Taro, Proust, Alan Kardec entre outros.

Cemitério da Recoleta em Buenos Aires, Argentina.

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Localizado no nobre bairro de mesmo nome, Recoleta, o destaque desse cemitério são os jardins que o cercam, muito frequentados por turistas e moradores da região. 

Suas lápides e tumbas luxuosas são marcadas por uma arquitetura neoclássica. O cemitério também ostenta mausoléus de celebridades históricas: artistas, músicos e escritores argentinos foram enterrados ali. O cemitério oferece visitas guiadas que contam a história do país. A tumba mais visitada é a da ex-primeira-dama Eva Perón.

Cemitério de Okunoin em Wakayama, no Monte Koya, Japão.

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Neste cemitério, mais de 200.000 tumbas estão espalhadas por uma floresta de cedros cobertos de musgo, rodeada de lendas. Você pode visitar por conta própria, mas também estão disponíveis visitas guiadas, tanto de dia como de noite. Se você for sozinho e à noite, esteja preparado para uma experiência única. Há também o mausoléu de Kobo Daishi, um famoso monge budista, poeta, artista e criador da escola de Budismo Shingon. O lugar é também um lugar popular para a meditação.

Cemitério Azael Franco em Tulcán, Equador.

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Os túmulos brancos deste cemitério equatoriano contrastam com o verde profundo dos arbustos moldados que os cercam e os protegem do vento. Desde 1936, inúmeras figuras de animais, deuses incas e maias e figuras egípcias, gregas e romanas surgiram das tesouras do hábil jardineiro Azael Franco.

O cemitério mais alegre do mundo: Cemitério de Sapanta, na Romênia.

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A arte colorida do cemitério de Sapanta é surpreendente e, por esta razão, tornou-se uma das mais peculiares do mundo. Nas lápides do falecido, além do nome e da data da morte, há também um epitáfio e um desenho recontando algum evento característico de suas vidas, uma ideia que veio de um artesão local após a Segunda Guerra Mundial e que agora se tornou uma tradição. É chamado de cemitério alegre porque as mensagens transmitidas por seus epitáfios estão cheias de ironia e humor. É um lugar para entender a morte de uma maneira diferente e é aconselhável visitar com um guia local.

Cemitério dos Cães em Asnières-sur-Seine, França.

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Em 1898, as autoridades francesas aprovaram uma nova lei que autorizava o enterro dos corpos de animais de estimação falecidos. Foi aí que o Cimetière des Chiens (Cemitério dos Cães) foi criado. Esta iniciativa, liderada pela jornalista Marguerite Durand, foi um sucesso e agora contém os túmulos de dezenas de milhares de animais: cães e gatos, mas também galinhas, macacos, porcos, cavalos etc. Alguns dos animais de estimação falecidos, além de terem uma história de amor profunda, também são famosos, como o cão Rin Tin Tin ou o gato de Alexandre Dumas. 

Cemitério dos suicidas em Berlim, Alemanha.

No sul da cidade de Berlim, durante o século XIX, as pessoas que queriam tirar suas próprias vidas muitas vezes decidiam se atirar no rio Havel. O problema era que muitos dos cadáveres ficavam presos nos meandros do rio e, por não poderem ser enterrados em um cemitério cristão devido a seu pecado, tornaram-se um problema para as autoridades. Eles encontraram a solução na floresta de Grunewald, que se tornaria o cemitério dos suicidas, Friedhof Grunewald-Forst.

Cemitério de Sagada na ilha de Luzon, Filipinas.

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Este cemitério não é nem um grande cemitério nem um cemitério de gente famosa, mas seus caixões suspensos chamam a atenção de qualquer um. Não procure sepulturas a dois metros de profundidade, mas caixões de madeira ancorados ao lado de um penhasco de montanha em diferentes alturas. Este costume começou com o desejo de manter os corpos fora do alcance dos animais, mas hoje se tornou uma tradição.

Cemitério Wadi Al-Salam: o maior cemitério do mundo.

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O nome do cemitério significa “Vale da Paz” e está localizado na cidade de Najaf, no Iraque. O terreno mede cerca de 10 quilômetros quadrados e abriga mais de 8 milhões de corpos. Acredita-se que o primeiro imã Ali ibin Abi Talibe, primo e genro do profeta Maomé, foi sepultado neste terreno por volta do ano 661 d.C. Por isso, é considerado um local sagrado pelos muçulmanos xiitas. Em função disso e da crença de que Ali tem o poder de interceder pelos falecidos, há séculos os muçulmanos xiitas da região do Irã, Iraque, Paquistão, Índia e de outros países são encorajados a enterrarem seus entes queridos lá.

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Receber a notícia da morte de alguém não é fácil, seja de alguém próximo ou distante do nosso convívio. Além da triste notícia que nos abala, muitas vezes surgem dúvidas sobre como se comportar em um velório ou funeral, como se vestir, se é necessário levar flores, o que dizer e o que é melhor evitar falar.

Como devo me comportar em um velório?

Geralmente os velórios são ambientes silenciosos para respeitar o momento da cerimônia em si. Sendo assim, é importante então tomar alguns cuidados:

  • Manter o celular desligado ou no modo silencioso.
  • Manter o tom de voz baixo durante as conversas.
  • Vestir roupas discretas e com cores neutras.
  • Ao levar crianças, tomar conta para evitar correria e muito barulho.
  • Jamais tire fotos durante o velório.
  • Assine o livro de presença, se houver.
  • Ao chegar, fique em silêncio por um minuto em frente ao caixão — essa atitude será vista como demonstração de respeito ao falecido.

Posso levar crianças ao velório e funeral?

As crianças podem ir ao velório, mas devem ser consultadas a respeito disso. Devemos lembrar que elas não sabem ao certo o que acontece num velório e, por isso, é preciso que o adulto esclareça sobre o que poderá ocorrer nesse lugar. É importante dizer, com palavras simples, que o corpo da pessoa que morreu fica numa caixa especial, por um tempo, para que as pessoas possam vê-lo, mais uma vez, antes de ser enterrado. Também é importante avisar que haverá gente chorando, pois estão tristes com o fato. Outra sugestão é mencionar que a pessoa que morreu não sente mais dor, frio ou qualquer desconforto. Após a explicação, pergunte se ela deseja ir ao velório, e só a leve em caso afirmativo; não a obrigue a ir em hipótese alguma, mas também não lhe negue o direito de participar do ritual.

O que dizer ao chegar no velório?

Expressar os sentimentos ou condolências é a forma de confortar as pessoas próximas ao falecido neste momento tão sensível. Não é preciso falar muito. Às vezes, só sua presença já é reconfortante, mas uma mensagem curta como “Sinto muito”, “Meus pêsames” ou “Lamento pela sua perda” será bem recebida. E se ainda assim faltar palavras, um abraço é uma ótima forma de se expressar. 

Caso queira mais detalhes sobre como expressar pêsames ou condolências, consulte nosso artigo “Maneiras de enviar condolências após a morte de entes queridos”.

A melhor forma de escolher o que dizer e como agir é se colocar no lugar da família enlutada e pensar o que você gostaria de escutar e como gostaria que as pessoas ao seu redor agissem. Se você já perdeu um ente querido e passou por uma situação de luto familiar, fica mais fácil compreender. No entanto, tenha em mente que cada pessoa é única em sua forma de responder às diversas dificuldades da vida e lida com os sentimentos de maneira também muito particular. Respeite sempre o tempo, a vontade e o espaço de cada um ao ajudar uma família em luto, mas saiba que seu apoio é muito importante neste momento.

O que não devo dizer à família enlutada durante o velório?

Evite dizer aos familiares do falecido que “você sabe o que eles estão sentindo” ou que o falecido “agora está descansando”. Este é um momento sensível e os enlutados estão passando por um turbilhão de emoções. Outros assuntos que não devem ser abordados neste momento são: “como você está?”, “o tempo cura a dor”, “todos passam por isso” e “não se sinta mal”.

Evite estas expressões:

  • “Você ainda pode se casar de novo” 
  • “Ele(a) descansou”
  • “Deus sabe sempre o que faz”
  • “Me disseram que ele(a) morreu de maneira trágica, como foi?”
  • “Não sei se serve de consolo, mas o meu caso foi bem pior que o seu, porque…”
  • “Pare de chorar, ele(a) não fica feliz com isto de lá onde ele(a) está”

Como prestar homenagem durante o velório?

A presença no velório já é uma importante forma de homenagem. E para expressar a lembrança e o carinho é comum, por exemplo, enviar uma coroa de flores ou levar flores. E há outras formas de homenagear como deixar uma mensagem em um livro de condolências ou em sites de homenagens, entre outros. Além de poder se despedir da pessoa que morreu, o comparecimento ao velório é uma forma de amparar a família, demonstrar solidariedade e apoio.

Como auxiliar uma família em luto?

Pessoas em luto precisam de ajuda não só no momento do velório e sepultamento. Depois do primeiro mês após a morte, as pessoas em luto costumam se sentir mais sozinhas porque os amigos e parentes voltam para suas vidas e seus afazeres. Se quiser ajudar, mantenha contato, demonstre disponibilidade, se ofereça e sempre pergunte o que a pessoa está precisando. Ofereça ajuda com ações do dia a dia da pessoa, telefone para conversar, para saber como ela está, se ofereça mais para ouvir do que para falar. Ao contrário do que parece, falar sobre o que está sentindo, sobre a pessoa que faleceu, sobre a saudade que sente, faz bem para o processo de luto. Caso a pessoa não queira conversar, não force, tenha paciência.

Para saber mais sobre este tema, consulte nosso blog “Família em Luto, saiba como ajudar”.

Observe e leve em consideração as diferenças culturais e religiosas.

O Brasil é um país multicultural e com muitas religiões diferentes. Ao chegar a um velório é importante seguir as tradições e os costumes da família, mesmo que você não pratique determinada religião. Não é necessário fazer algo que vá contra seus valores, mas é importante demonstrar respeito ao falecido e sua família. 

As principais religiões do Brasil possuem algumas particularidades. Procure sempre saber como será o ritual antes de ir.

Cristãos evangélicos:

As famílias cristãs evangélicas não se apegam a simbologias, focando no suporte à família enlutada e na união dos membros da igreja e amigos.

Cristãos católicos:

Os católicos utilizam mais símbolos e ornamentos como castiçais, cruz, terços, velas e coroas de flores para homenagear o falecido e professarem sua fé nos santos.

Judeus:

A cerimônia judaica costuma ser curta e enaltece as qualidades do falecido. Durante o ritual as mulheres cobrem suas cabeças com lenço e os homens usam o quipá.

Muçulmanos:

Para os muçulmanos não há velório e vestir-se de preto não é necessário. O corpo do ente querido é exibido publicamente para a despedida.

Budismo japonês:

Com música, fotografia e melhores vestimentas, as despedidas budistas são sinônimo de festa com direito a banquete para os convidados.

Coroa de Natal feita com pinhas, galhos e bolas vermelhas, decorada ao lado de uma madeira escura, perfeita para enfeitar a sua casa na temporada festiva.

Enfrentar o processo de luto é desafiador a qualquer momento, mas durante as festas de final de ano a ausência do ente querido causa muitos sentimentos de melancolia para toda a família.

O processo de luto durante as festas de final de ano.

Mais um encerramento de ano se aproxima e com ele a euforia das festas tradicionais de Natal e Ano Novo. Apesar das campanhas publicitárias de cenas de harmonia e de consumo, não podemos esquecer que um número considerável de pessoas estará vivendo a caminhada do luto. Sabemos que o luto é um processo atemporal, individual e de muito trabalho psicológico.

Festas de final de ano e luto serão diferentes no contexto da pandemia.

Durante o ano de 2021, tivemos ainda que lidar com o isolamento social proveniente da pandemia, que afastou as famílias, causando o sentimento de solidão e impotência diante de uma ameaça letal que assolou o mundo nos últimos 2 anos. 

Famílias do mundo todo perderam seus entes queridos e nem tiveram a oportunidade de se despedir como de costume. A proibição dos rituais fúnebres para evitar aglomeração e a propagação do vírus impactou o processo de luto de muitas famílias. Isso porque os rituais de despedida são fundamentais para o enlutado iniciar o período de luto e receber o apoio de familiares e amigos.

A pandemia também afetou a economia global e refletiu na queda do poder aquisitivo das famílias. Alta dos preços, inflação e desemprego gerou o stress e fadiga de adultos e adolescentes que acabam por somatizar, física e emocionalmente, muitas doenças que pedem intervenções médicas e psicológicas.

Os contrastes nas festividades de fim de ano diante do luto e a perda dos entes queridos.

A chegada do mês de dezembro e as festas de final de ano nos apresenta um enorme muro de contrastes: 

  • Alegria e tristeza:

Alegria por termos chegado até o fim do ano e a tristeza por tantas vidas perdidas e por não podermos compartilhar este momento com os que já partiram. 

  • Reencontros e ausência

Com o avanço da vacinação, estas festas de final de ano serão sinônimo de reencontros e a presença dos familiares e amigos que não víamos há muito tempo. No entanto, a ausência dos entes queridos que já partiram será impactante para muitas famílias que enfrentam o luto. 

  • Festas e solidão

Para muitos, as festas de final de ano serão celebradas em festas e comemorações com grande fartura, porém outros enfrentarão a solidão e a escassez durante o Natal e Ano Novo.

As tradições das festas de fim de ano e o enfrentamento do luto.

A tradição natalina convoca a vivência de algumas situações que são, muitas vezes, difíceis de serem administradas por quem está vivendo um luto.   

Os símbolos natalinos tais como: as árvores de Natal com estrelas, brilhos e cores, Papai Noel, anjos e presépios, que muitas vezes remetem a uma alegria de reencontros e comemoração familiar, podem ser disparadores de lembranças alegres e tristes e da constatação da ausência de um ou mais membros daquela família.

A própria reunião familiar, onde todos se encontram com abraços fraternais para a tão esperada ceia, pode ser uma cena difícil de viver, pois a falta daquela pessoa que animava e juntava o grupo fica ainda mais em evidência. 

A celebração com felicidade, com manifestações de emoções de alegria e contentamento, vai na contramão da dor do enlutado.

As festas de final de ano representam também o fechamento de um ciclo, onde comumente se deixa para trás o que passou. Para quem perdeu um ente querido é muito difícil fechar, se despedir de quem você não quer esquecer jamais.  

O início de um novo ciclo também acarreta a expectativa de planos para o próximo ano. Este passo é muito difícil para um enlutado. Projetar algo para o futuro requer entender que o ente querido que partiu está no passado e não participará dos planos. Esta percepção pode ser complexa e dolorosa para a família enlutada.

Como viver as festas de final de ano durante o processo de luto?

Nós que trabalhamos com famílias enlutadas sabemos que o Natal e as festas de final de ano nem sempre são comemorações de alegria com trocas de presentes e ceias fartas que reúnem todos os membros da família felizes e sorridentes. Separamos algumas dicas e comentários que podem ajudar a viver este período mesmo enfrentando o luto e a ausência dos entes queridos.

1 – Acolha seus sentimentos e emoções.

É essencial entender que natural e inevitavelmente serão afloradas emoções relacionadas àqueles que se fazem presentes e àqueles que já se foram de nossas vidas, deixando saudades e recordações. 

2- Faça o que for possível, independentemente das tradições.

Sendo assim, a melhor maneira de viver as festas de fim de ano durante o processo de luto é fazer o Natal possível do seu jeito, com seus limites e com suas possibilidades de passar por essa data. Acima de qualquer tradição, é importante respeitar suas emoções, pois só você sabe o que está sentindo.

3- Não se prenda às regras.

Não temos regras. A verdade é que não podemos tirar essa data do calendário e ela vai acontecer, independentemente da vontade de alguns de exterminá-la. O que podemos orientar e sinalizar para as famílias é que procurem passar esse momento da forma menos dolorida possível. 

4- Ressignifique. 

Faça com que as tradições e as repetições de anos anteriores sejam remodeladas, reformatadas e, sobretudo, ressignificadas com o que sua alma suporta e pede como aconchego, seja um sorriso tímido, uma lágrima, um silêncio ou pouca conversa.  

5- Seu luto é único e seus sentimentos também.

Não se prenda à fiscalização ou à “patrulha” do luto alheio que diz o que você tem que fazer e sentir. Isso é um desserviço que está na contramão do processo de luto. Cada um vive a perda à sua própria maneira. Tudo bem não estar bem. 

O Natal deve festejar os vivos e honrar os mortos que fazem e farão parte de nossas vidas para sempre. Assim, imaginamos que todos terão saudades nesta data, e tudo bem se você ficar triste!  Tudo bem se ficar alegre! Não tenha vergonha de suas emoções. Dê espaço aos seus sentimentos, pois você está de luto.

Suporte ao luto no Memorial Parque das Cerejeiras.

Sabemos que o processo de elaboração da perda pode ser complexo e doloroso. Por isso, estruturamos programas para, de forma gratuita, prover atenção profissional e disponibilizar informação qualificada para o processo de compreensão e aceitação da transição pessoal que representa o luto. Oferecemos palestras com profissionais da psicologia especializados em luto. Por meio de grupos de apoio ao enlutado, auxiliamos na abertura para a discussão coletiva e para a compreensão do significado da perda.  

Este texto foi desenvolvido pelo Centro de Psicologia Maiêutica em colaboração com o Cerejeiras