Luto de parceiro

Neste texto, abordaremos o luto de parceiro(a), ou seja, o luto da esposa, o luto do marido, o luto do(a) companheiro(a) que fica.

Cada pessoa vive o luto de uma forma única e nenhuma experiência de perda é igual a outra. Mesmo em meio a tantas diferenças, alguns pontos de semelhança podem ser destacados para ajudar a compreender melhor o processo de perda e luto de um parceiro ou de uma parceira de vida. 

Perder alguém que você escolheu para dividir sua vida após deixar a casa dos pais é uma experiência de intenso sofrimento. Tornar-se “ímpar” depois de ter sido “par” é um aprendizado difícil em qualquer circunstância e em qualquer momento da vida. 

Por que o luto por um parceiro ou parceira de vida é tão intenso?

1- Vocês compartilhavam assuntos importantes

Depois dos pais, uma das pessoas com quem mais dividimos assuntos importantes são os companheiros de vida: assuntos financeiros, cuidado com os filhos, problemas na família, assuntos de saúde e trabalho, coisas sobre a rotina da casa e da vida. É certo que estes assuntos importantes faziam parte das conversas, mesmo que vocês não concordassem um com o outro sobre algumas coisas. Possivelmente você esteja se sentindo muito só neste tipo de conversa.

Para te ajudar: De fato, boa parte destes assuntos terão que ser administrados por você mesmo por um tempo, mas não será necessário cuidar de tudo sozinho. Lembre-se que você não compartilhava estes assuntos com outras pessoas porque tinha seu companheiro(a), mas na ausência dele ou dela você pode descobrir que existem outras pessoas confiáveis, familiares e amigos que possam caminhar mais perto de você e te ajudar em alguns assuntos.

2-  Vocês compartilhavam o mesmo espaço

Provavelmente sua casa está impregnada de lembranças difíceis: o lugar do sofá, a cadeira da mesa de refeição, o lado da cama, o guarda-roupa, dentre tantas outras. Em cada canto há a presença do seu parceiro de vida, vestígios e histórias sobre objetos e ambientes. 

Para te ajudar: Ao mesmo tempo que essas lembranças podem tornar muito dolorosa a presença no ambiente, para outras pessoas pode ser acolhedor estar perto de tudo que representa o companheiro(a). Não há consenso sobre permanecer na mesma casa ou se mudar, sobre tirar as lembranças do ambiente, sobre esconder as fotos. Cada pessoa viverá estas lembranças de forma única e a decisão dependerá do quanto estas lembranças lhe acolhem de alguma forma ou lhe atormentam. 

3- Vocês conviviam em intimidade

Acredite, você vai sentir falta até dos defeitos do seu companheiro de vida! Conviver com alguém na sua intimidade é também lidar com os problemas que essa convivência diária trazia. Você vai se lembrar de frases sempre repetidas, vai se lembrar de reclamações feitas, de coisas pelas quais vocês discutiam, vai se lembrar de manias e hábitos. E isso pode ocorrer muitas vezes ao dia. Até que você construa outras memórias ao longo desta nova vida, na qual seu companheiro(a) não está mais presente fisicamente, você recorrerá às memórias da vida que vocês

Para te ajudar:  Memórias também são legados! Você pode se entristecer pela lembrança, mas procure celebrar o fato de ter vivido estas coisas. Se estiver doendo muito, procure se distrair um pouco, mas não fuja das lembranças o tempo todo. Reserve um lugar especial em seu coração para estas recordações construíram juntos. 

4- Você se sentirá mais responsável pela vida que construíram juntos

Se vocês tiveram filhos, netos, se tiveram animais, se fizeram planos para o futuro, se construíram uma vida juntos, ela agora caberá somente a você e isso pode gerar insegurança e sofrimento. Esse aspecto do luto de parceiro(a) pode parecer pesado em um primeiro momento. Você nunca vai encontrar alguém que poderá substituir integralmente esta pessoa, ela era única e tinha um jeito próprio de ser. Contudo, você poderá reorganizar suas decisões, contando com a ajuda de muitas pessoas de sua rede de apoio.  

Para te ajudar: Você pode descobrir um amigo com o qual pode falar sobre finanças, pode contar com a ajuda de um vizinho para o cuidado dos animais, pode descobrir que parentes estão dispostos a te ajudar com parte das tarefas com que você não sabe ou não consegue lidar. Talvez você não vá tomar as mesmas decisões que tomavam juntos. Mas entenda que mudanças aconteceram e hoje é você que está vivendo a situação em um cenário diferente do que vocês estavam. É possível que muitas coisas tenham que ser pensadas de forma diferente. Embora seu companheiro(a) não esteja mais nesta vida, estamos certos de que você o(a) conhecia bem, que será capaz de imaginar quais conversas vocês teriam sobre algum problema a ser decidido. Procure emprestar sua voz a ele(a) e tentar responder a si mesmo o que ele(a) diria sobre esse problema, considerando este novo cenário.

5- É difícil ver o sofrimento dos filhos

Ao perder um companheiro(a) de vida com o qual você tinha filhos, seu sofrimento será duplo: por si mesmo e pelo luto de seus filhos. Não será possível poupá-los do sofrimento de perder um genitor. Não tente compensar a dor com presentes ou com falta de limites, na intenção de amenizar o sofrimento. Infelizmente seus filhos terão que viver seus próprios lutos, mesmo que você deseje ardentemente retirar esta dor do peito deles. 

Para te ajudar: Seu desafio neste momento será conseguir se organizar para dar andamento ao desenvolvimento da família e manter viva a história do seu parceiro(a). Como orientam nos aviões, o correto é colocar a máscara de oxigênio em você primeiro para poder conseguir ajudá-los, ou seja, cuide de si mesmo, procure cuidar do seu luto, ir retomando a vida para que eles possam contar com você. Haverá muitos momentos nos quais os parceiros farão falta e ninguém poderá substituí-los. Mas a memória deles poderá ser honrada por meio de histórias familiares, objetos guardados, fotos que recontam a história da família quando estavam presentes. Homenageá-los é também uma forma de os manter vivos. 

6- Vocês eram uma dupla

Independentemente do tempo que permaneceram juntos ou de como dividiam a vida, vocês eram reconhecidos como um casal. As pessoas que perdem o parceiro(a) costumam se sentir deslocadas socialmente, principalmente diante de outros casais. A sensação de estar só pode ficar intensificada quando você vê outros casais e é comum que evite eventos dessa natureza. Aprender a ser uma dupla também deve ter sido um árduo processo, desde quando vocês se conheceram. Brigas, discussões, alguns desentendimentos, manias e hábitos diferentes são obstáculos no aprendizado da convivência a dois. 

Para te ajudar: Entenda agora seu processo acontecendo ao contrário: você vivendo muitos obstáculos no processo de aprender a ser um só. Aceite que você terá um novo cenário e tenha paciência consigo mesmo. Quando estiver muito difícil conte com a companhia de amigos, parentes e pessoas próximas até que você se sinta seguro(a) para estar só nos momentos que vocês estariam juntos. Esta nova identidade será construída gradualmente e de forma lenta. Procure não se isolar socialmente como forma de se defender da dor, dê chances a vocês mesmo contra a solidão.

Fruto de uma história de amor.

O luto de um parceiro de vida é, acima de tudo, fruto de uma história de amor. A despeito de todas as dificuldades, é importante que você saiba que não precisa encerrar esta história: você seguirá com ela dentro de você para sempre. 

Este texto foi desenvolvido pelo Centro de Psicologia Maiêutica em colaboração com o Grupo Cerejeiras.

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saude fisica e mental

Saúde é, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade”. A relação entre a saúde física e a saúde mental é unanimidade de acordo com os profissionais da saúde. O exercício físico pode melhorar a função das sinapses entre os neurônios aumentando o metabolismo das células neurais e o fornecimento de sangue no cérebro, o que gera crescente capacidade de processamento neural, ou seja, faz com que as células cerebrais se comuniquem melhor.

O corpo e a mente estão constantemente conectados.

Não podemos esquecer que nosso corpo está intimamente ligado ao nosso cérebro. O binômio “Corpo e Mente” está em constante conexão e, muitas vezes, um fala em nome do outro.   

Um estresse emocional muito grande como o luto pode modificar todo o metabolismo, alterando a ação de hormônios, a resposta de imunidade e, consequentemente, vários sintomas podem indicar que algo está em desequilíbrio. O processo de adaptação a uma nova realidade de si e do mundo, mesmo sendo cultural, familiar, e sem tempo certo de conclusão, requer cuidados especiais.

Entenda como o luto interfere na saúde do nosso corpo.

Muitos enlutados perguntam: “Por que depois da morte do meu filho eu desenvolvi diabete?”. Ou fazem comentários como: “Este mês tem sido muito difícil, vai fazer um ano que ela faleceu e além de não conseguir dormir, descobri que estou com a pressão alta”; “Depois que perdi meu marido fiquei doente, me deu uma crise renal violenta”. 

Estes e outros depoimentos nos permitem compreender quão avassalador é o processo de luto. Está enganado quem pensa que luto é só tristeza. Luto é um emaranhado de sensações, uma confusão de sentimentos, uma estrada difícil de percorrer para dar um novo significado à vida que fica.

Estudiosos do tema “Morte e Luto” afirmam que este fenômeno é universal, natural, individual e esperado quando há o rompimento de um forte vínculo afetivo. Consideram ainda que o luto afeta profundamente várias dimensões da vida do sujeito, produzindo grandes impactos.  

A somatização e/ou doenças físicas também rondam os enlutados muitas vezes de forma traiçoeira.  Não devemos tomar como regra que todo luto afeta a saúde física, já que o processo é individual, mas é preciso atenção para quem está em luto ou acompanha quem está vivendo esse processo.

O que é saúde mental e qual sua relação com o luto?

Assim como diferentes fatores podem afetar a boa saúde física, há fatores que também podem abalar a saúde mental de uma pessoa, prejudicando sua sensação de bem-estar interno, a tomada de decisões, a resolução de problemas e até os relacionamentos.  

O conceito de saúde mental, segundo a OMS, está relacionado ao bem-estar psicológico, ou seja, a sensação de bem-estar e harmonia interna. Saúde mental abrange também a forma positiva de lidar e buscar soluções para os problemas do dia a dia e de manter relacionamentos humanos saudáveis. 

Um dos fatores capazes de abalar profundamente a saúde mental é a vivência de um luto. A experiência de perder alguém querido abala o equilíbrio interno e pode afetar temporariamente a capacidade da pessoa de dar conta do seu dia a dia e sua rotina.

Luto é considerado doença? Quais são os sintomas?

O luto é um processo natural de reação a uma perda importante. Luto não é uma doença, mas pode adoecer uma pessoa tanto física como mentalmente. 

É importante destacar que há sintomas físicos e psicológicos decorrentes da vivência do luto e eles não são sinais de doença, e sim sinais de luto, como:

  • Dificuldades para resolver problemas do dia a dia.
  • Falta de energia vital.
  • Desinteresse por estar com as pessoas.
  • Crises de choro.
  • Dores no peito (angústia).
  • Alterações no padrão de sono e apetite.

Quando o luto se torna mais difícil que o habitual ele é chamado de “luto complicado”. Não existe tempo certo para superar a perda de alguém, pois depende de cada pessoa e como ela está enfrentando a situação.

O chamado “luto complicado” acontece quando alguém não consegue seguir em frente após a morte de um ente querido, fazendo da perda um lugar central e de destaque na vida. Estas pessoas deixam de realizar suas atividades como trabalhar, ir ao mercado e todos os seus pensamentos e atos estão associados à perda. Isso geralmente acontece quando a morte foi abrupta, como acidentes, suicídio, tragédias e morte precoce de um filho.

Tristeza não é depressão!

Embora você possa não se reconhecer, possa estranhar tudo que está sentindo, é importante compreender que a vivência do luto pode provocar estes sentimentos e sintomas diferentes daquilo que você considera ser a sua normalidade. Levará tempo até que você possa se sentir bem internamente, mesmo que seja de uma forma diferente do que era antes. 

As sensações decorrentes do luto costumam oscilar bastante, ora estando menos intensas, ora mais intensas. Assim também há dias em que a pessoa enlutada consegue resolver algumas tarefas do cotidiano e outros dias ela não se sente capaz. Estas oscilações são esperadas e naturais.

Como cuidar da saúde durante o luto?

Às vezes, algumas falas são soltas e, por parecerem tão óbvias, as pessoas tendem não dar atenção à elas, entretanto, fique em alerta com as expressões: “Quero desaparecer”, “Vou deixar todos em paz”, “Eu só quero morrer”, “Queria dormir e nunca mais acordar”, “Não aguento mais”, essas são as mais comuns.

Existem outras formas e sinais de identificar intenções suicidas e é importante observar esses alertas. Além disso, é preciso desmistificar a ideia de que pessoas que expressem um desejo de morrer, falam isso para chamar atenção ou que está fazendo graça.

Fique atento aos seguintes sinais:

É possível que alguém que já fazia algum tipo de tratamento para a saúde mental antes do luto perceba que sua condição psíquica piora durante o processo de luto, necessitando apoio médico com maior regularidade. 

É possível também que a vivência do luto desencadeie algum tipo de transtorno mental, mesmo que temporário como: 

  • Crises de pânico
  • Depressão
  • Transtorno de sono e humor 
  • Estresse pós-traumático
  • Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)
  • Abuso de álcool e drogas
  • Transtornos alimentares
  • Ansiedade 

Vale ressaltar que ter problemas com a saúde mental não é um sinal de fracasso pessoal. Todos estão sujeitos a maiores ou menores desequilíbrios da harmonia psíquica. Caso sinta a necessidade, procure um médico psiquiatra ou a ajuda de um psicólogo para que possam avaliar a condição de sua saúde mental neste momento e, se necessário, pensar em estratégias de como ajudá-lo a retomar o equilíbrio interno.

Como saber se meu corpo está sendo afetado fisicamente pelo luto?

Use as perguntas a seguir como um guia para identificar alterações, procure seu médico e tenha seus exames sempre em dia:

  • Como está sua alimentação? Você teve falta ou aumento de apetite?
  • Como está seu padrão de sono? Você tem tido dificuldades para dormir ou tem dormido além do que estava acostumado? (Sabemos que tanto a falta como o excesso de sono sinalizam alguma disfunção). 
  • Como está o funcionamento geral do seu corpo? Percebeu alguma alteração? 
  • Costuma ter inquietação física, não consegue ficar quieto(a) ou, ao contrário, se sente letárgico(a)? 
  • Se sente exausto(a), com cansaço e boca seca?
  • Sente dor de cabeça frequente, palpitação ou taquicardia durante o dia?
  • Percebeu queda de cabelo, doenças de pele ou alterações hormonais? 

Cuide de seu corpo e da sua mente. Seja generoso e compreensivo consigo mesmo. O autocuidado é o maior gesto de gentileza que você pode ter com você e com sua saúde. 

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setembro amarelo

Setembro Amarelo é o nome dado à campanha de prevenção e conscientização do suicídio. A campanha é realizada anualmente com o intuito de aumentar o acesso à informação sobre o tema. O preconceito e a desinformação são os principais fatores que mais impedem que as pessoas encontrem suporte quando precisam.

No dia 10 de setembro é o dia mundial da prevenção do suicídio e por isso o mês foi escolhido para intensificar debates e disseminar informações sobre o assunto.

O que significa Setembro Amarelo?

Em setembro, o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) se unem para divulgar, debater e conscientizar sobre a importância da prevenção do suicídio.

Falar sobre suicídio sempre foi um tabu, tanto que mitos sobre este tema dificultam a busca adequada por ajuda, como por exemplo “quem muito ameaça não faz” ou “sempre dão indícios”. Cada caso é um caso e quase sempre familiares e amigos são surpreendidos com o falecimento por suicídio de alguém próximo e precisam conviver com sentimentos misturados de dor, raiva e culpa. 

É importante conscientizar a população sobre o cuidado com a saúde mental, além de fornecer meios de identificar situações extremas – como o suicídio – ou até mesmo acolher pessoas que estejam passando por algum tipo de dificuldade emocional. Graças à campanha, a barreira da desinformação tem sido derrubada e as informações ligadas ao tema passaram a ser compartilhadas cada vez mais.

Qual a importância do Setembro Amarelo?

A Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que o suicídio é a segunda causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos, e a depressão é um dos principais transtornos mentais que leva ao suicídio. Em todo o mundo, 800 mil de pessoas cometem suicídio por ano, sendo que os homens cometem quatro vezes mais suicídio do que as mulheres, independente da faixa etária. Estima-se, ainda, que para ato concretizado, se tem 8 a 10 tentativas sem sucesso

Como surgiu o Setembro Amarelo no Brasil?

No Brasil, essa campanha foi criada em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Outras campanhas de saúde, como o Outubro Rosa e Novembro Azul, também utilizam cores como forma de alerta e de identificação sobre as questões que abordam.

Qual a origem da campanha Setembro Amarelo e como a cor amarela foi escolhida?

O Setembro Amarelo começou nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio, em 1994.

Mike era um rapaz muito habilidoso e restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como “Mustang Mike”.

No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem “Se você precisar, peça ajuda.”. A iniciativa foi o estopim para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões chegaram realmente às mãos de pessoas que precisavam de apoio. Em consequência dessa triste história, foi escolhido como símbolo da luta contra o suicídio, o laço amarelo.

Setembro Amarelo e o luto após suicídio de um familiar.

O famoso pintor holandês Vicent Van Gogh (1853- 1890) escreveu: “O suicídio faz com que os amigos e familiares se sintam seus assassinos”.

Quando uma pessoa comete suicídio, sabe-se que a vida foi tirada intencionalmente, por isso, é comum que familiares e amigos procurem dar sentido ao ato ou justificativas/ sentido para sua própria vida. Estudos mostram que enlutados pelo suicídio têm maiores riscos de também cometer suicídio.

O processo de luto decorrente de um suicídio de uma pessoa importante gera emoções intensamente confusas e ambivalentes, e passíveis de levar a um luto complicado. Além da dor do momento, muitas perguntas ficam no ar: “Por que isso aconteceu?”, “Como eu não percebi nada?”, “Será que eu poderia ter evitado?”. 

O suicídio repercute em diversos níveis na vida dos familiares e pessoas próximas, tanto do ponto de vista social como individual. O sentimento de culpa, tristeza e raiva se intensificam no meio de questionamentos sem respostas.

Como identificar sinais de um potencial suicida?

Às vezes, algumas falas são soltas e, por parecerem tão óbvias, as pessoas tendem não dar atenção à elas, entretanto, fique em alerta com as expressões: “Quero desaparecer”, “Vou deixar todos em paz”, “Eu só quero morrer”, “Queria dormir e nunca mais acordar”, “Não aguento mais”, essas são as mais comuns.

Existem outras formas e sinais de identificar intenções suicidas e é importante observar esses alertas. Além disso, é preciso desmistificar a ideia de que pessoas que expressem um desejo de morrer, falam isso para chamar atenção ou que está fazendo graça.

Fique atento aos seguintes sinais:

  • Apresentar comportamento retraído, dificuldades para se relacionar com família e amigos;
  • Ter casos de doenças psiquiátricas como: transtornos mentais, transtornos de humor (depressão, bipolaridade), transtornos de comportamento pelo uso de substâncias psicoativas (álcool e drogas), transtornos de personalidade, esquizofrenia e ansiedade generalizada;
  • Apresentar irritabilidade, pessimismo ou apatia;
  • Sofrer mudanças nos hábitos alimentares ou de sono;
  • Odiar-se, apresentar sentimento de culpa, sentir-se sem valor ou com vergonha por algo;
  • Ter um desejo súbito de concluir afazeres pessoais, organizar documentos, escrever um testamento;
  • Apresentar sentimentos de solidão, impotência e desesperança;
  • Escrever cartas de despedida;
  • Falar repentinamente sobre morte ou suicídio;
  • Apresentar um convívio social conturbado;
  • Ter doenças físicas crônicas, limitantes e dolorosas, doenças orgânicas incapacitantes como dores, lesões, epilepsia, câncer ou aids;
  • Apresentar personalidade impulsiva, agressiva ou humor instável.

Mitos sobre o comportamento suicida.

  • A pessoa que já pensou em se suicidar, terá risco de suicídio para o resto de sua vida. Atualmente temos várias formas de tratamento para pessoas que possuem pensamentos suicidas. 
  • As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, e querem apenas chamar atenção: A maior parte das pessoas que cometem suicídio falam ou dão sinais sobre o ato alguns dias ou semanas antes. Isso costuma acontecer frequentemente, e tanto os familiares quanto os profissionais da saúde devem ficar atentos a esses sinais.
  • Quando uma pessoa melhora ou sobrevive a uma tentativa de suicídio, ela está fora de perigo: Justamente o contrário. Quando uma pessoa acaba de passar por uma tentativa de suicídio, a semana seguinte é justamente o período em que ela está mais fragilizada.
  • Falar sobre suicídio pode aumentar o risco: Ter alguém para conversar é essencial, e a ajuda médica deve ser buscada. Ao receber queixas com esse teor, a família deve buscar ajuda profissional e orientar-se sobre como prosseguir.

Apoie o Setembro Amarelo e informe-se!

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias.

A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular.

Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.

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suicidio

Os dados sobre suicídio fornecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são preocupantes: 800 mil pessoas se suicidam por ano e, a cada 40 segundos, alguém tira a própria vida.

Mesmo com essas estatísticas, o assunto ainda é um tabu. É comum as pessoas não falarem sobre esse tema, muitas vezes por não saberem como abordá-lo, seja por parte de quem perdeu alguém que se suicidou, seja por quem queira consolar um amigo ou familiar que passa por essa situação. 

É melhor assumir: é uma conversa difícil. São diversos os sentimentos, pensamentos e dúvidas que permeiam o assunto. Sendo assim, separamos algumas dicas para sustentar conversas sobre suicídio que, por mais complexas que sejam, são bastante necessárias.

Primeiro passo: não se culpe ou culpe alguém.

Uma das maiores dificuldades de quem perde um familiar ou amigo que se suicidou é se achar culpado pelo que ocorreu. É comum se perguntarem o porquê, se podia ter impedido, se devia ter percebido algo que não notou, se devia ter feito mais pelo suicida… Porém, essa culpa só causa mais sofrimento, porque a pessoa nunca terá uma resposta. Quem poderia respondê-la, infelizmente, já partiu.

O suicídio tem causa multifatorial e, muitas vezes, acontece de maneira impulsiva. Mesmo quando há sinais comportamentais, não é possível saber se o ato suicida ocorrerá e muito menos quando. Por isso, no momento de conversar sobre o suicídio, procurar culpados não deve ser um tópico. Focar nessa questão não ajuda a lidar com o ocorrido e, inclusive, pode piorar a angústia que já existe.

Não falar sobre o suicídio é isolar quem está sofrendo com a perda.

Como dito anteriormente, falar sobre suicídio ainda é um tabu. Geralmente, as pessoas evitam falar sobre o assunto com os enlutados, mas isso impede de dar a eles a chance de falarem sobre suas dores, sobre suas emoções, sobre o que está passando em seus pensamentos.

Outro engano é achar que, ao conversar sobre suicídio, deve-se ter uma resposta para tudo que a pessoa disser. Na verdade, ouvir, oferecer uma palavra de conforto e um ombro amigo e empático já são grandes demonstrações de preocupação e afeto. Às vezes, quem perdeu alguém amado para o suicídio só precisa desabafar e compartilhar sobre o que está vivendo, sem ficar esperando grandes frases ou respostas.

Como conversar sobre suicídio com crianças e adolescentes?

Engana-se quem pensa que tratar sobre o tema é incentivar que se faça o mesmo. É uma forma de demonstrar apoio a quem, normalmente, está lidando com a morte de um ente querido pela primeira vez.

 Ao conversar com crianças e adolescentes sobre o suicídio, o indicado é não explicitar como o ato ocorreu. O foco deve ser sobre o que é o luto e quais sentimentos ele desperta, adaptando a linguagem para a faixa etária de quem está participando da conversa.

Além disso, é muito importante abordar o autoconhecimento, pois, por meio dele, a criança e o adolescente podem perceber como estão se sentindo ou até mesmo observar o comportamento de amigos e colegas. Assim, ao sustentar uma conversa sobre suicídio com esse público, exponha quais são os sinais de alerta nesses casos, como mudanças de humor e de comportamento frequentes, juntamente de frases que demonstrem suporte e que você é uma pessoa em quem eles podem confiar e se sentirem seguros para tratar do tema.

Dialogar e ser ouvido por um profissional faz toda a diferença.

Enfrentar o luto é sempre uma tarefa difícil, ainda mais quando se trata de ter perdido alguém por suicídio. Especialistas apontam que esse tipo de luto costuma ter duração mais prolongada que outros.

Por esse motivo, é bastante indicado procurar ajuda psicológica para aprender a lidar melhor com o que aconteceu, a ir superando a tristeza e tentar elaborar essa perda tão brutal. As sessões podem ser feitas de maneira individual, mas também podem ser familiares, já que, às vezes, é difícil discutir o assunto no dia a dia da família, ou há dúvidas de como abordá-lo. Sendo assim, um profissional especializado ajuda a guiar e mediar a conversa entre todos.

Além de terapia psicológica, e

Conversando com alguém que pensa em suicídio.

Caso você esteja convivendo com alguém que pensa em suicídio ou exista esta suspeita, não deixe de conversar com essa pessoa sobre o tema. 

Evite julgamentos. Essa é uma das primeiras atitudes necessárias ao conversar com alguém que pensa em se suicidar. Normalmente, essas pessoas sentem muita angústia, tamanha a intensidade dos sentimentos e pensamentos com que elas lidam diariamente. Nem sempre elas conseguem externalizar tudo o que estão sentindo e uma das razões é o medo de serem julgadas pelos outros, de não serem ouvidas e compreendidas.

Por isso, ao sustentar conversas sobre suicídio, seja empático e acolhedor. É imprescindível que quem possui ideias suicidas se sinta respeitado para que consiga se abrir e desabafar, mesmo que aos poucos. 

Outra atitude necessária em uma conversa sobre esse assunto é colocar-se como aquela pessoa em quem é possível se apoiar e receber suporte. Algumas frases podem ajudar a transmitir essa ideia, como “você pode me ligar quando quiser falar com alguém”, “você não está sozinho, pois estou aqui com você”, “se quiser companhia para realizar alguma tarefa, me avise” e “pensaremos juntos em como solucionar os seus problemas”. 

Igualmente fundamental é ressaltar a importância de um acompanhamento psicológico e, às vezes, psiquiátrico. Nesse momento, a dica da frase de apoio também pode ajudar, como “se quiser companhia para ir até lá ou para encontrar um bom profissional, eu te ajudo”. Reforce a ideia de que a psicoterapia é um espaço livre de julgamentos e preconceitos, no qual se pode falar abertamente, além de contar com um profissional capacitado para lidar com o caso e que pode ajudar a resolvê-lo.

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pesames

Você sabe quando usar as palavras “pêsames” e “condolências”? Em um momento de luto de uma pessoa próxima ou de um conhecido, muitas pessoas ficam em dúvida a respeito de como se expressar. Em geral, temos pouca familiaridade com termos como “pêsames” ou “condolências”. Hesitamos sobre quais palavras e expressões utilizar para expressar nossa solidariedade com quem viveu uma perda recente.

Como expressar os pêsames? Confira algumas mensagens para o enlutado.

Em um artigo anterior, tratamos com profundidade das maneiras de enviar condolências após a morte de entes queridos

Ali, abordamos as formas de transmitir uma mensagem de apoio a quem está enfrentando a morte de um ente querido, sugestões de como se comportar com naturalidade, sendo verdadeiro e sincero a respeito dos seus sentimentos.

Também destacamos várias ideias de mensagens de condolências que podem ser enviadas em cada situação. Dependendo do tipo da relação e o grau de intimidade com o enlutado, que pode ser um familiar, um amigo ou um colega de trabalho, o conteúdo da comunicação será diferente. 

Se você estiver buscando ideias de mensagens de pêsames ou condolências, recomendamos que consulte o artigo: “Maneiras de enviar condolências após a morte de entes queridos”. Lá você poderá consultar sugestões de parágrafos ou frases para expressar seu lamento.

O interessante é que, naquele artigo, falamos das mensagens de condolências, mas nunca utilizamos a palavra “pêsames”. Isso levou a algumas perguntas de leitores do blog: Existe alguma diferença entre a mensagem de pêsames e a mensagem de condolências? Ou essas duas expressões têm o mesmo significado?

Pêsames e condolências possuem significados muito próximos.

Tanto a palavra “condolências” quanto a palavra “pêsames” são usadas na língua portuguesa para qualificar as mensagens ao enlutado. Ambas estão corretas e são vistas como sinônimos.

Assim, em uma mensagem curta de apoio ao enlutado, é possível escrever pêsames ou condolências, e o significado será o mesmo. Por exemplo: 

  • “Minhas condolências pela sua perda, amiga”.
  • “Meus pêsames pela sua perda, amiga”.

Também é possível não usar nenhuma delas, substituindo por sentimentos, ou expressar seu lamento, sem alterar o conteúdo da mensagem:

  • “Meus sentimentos pela sua perda, amiga”.
  • Lamento sua perda, amiga”.

Todas essas mensagens são similares e expressam a compaixão pela perda do outro.

Pêsames ou condolências? Quais as principais diferenças e quando usar cada uma das palavras?

Por outro lado, duas palavras podem ser utilizadas para um mesmo objetivo, mas raramente serão sinônimos perfeitos. Por isso, os estudiosos das línguas dizem que os sinônimos são normalmente palavras com sentidos próximos, mas não exatamente equivalentes. 

No caso dos pêsames e das condolências, podemos destacar alguns traços particulares de cada vocábulo.

A condolência é o estado de quem se condói. Na raiz da palavra, encontramos o conceito de “dor”. Quando manifestamos nossas condolências a alguém, estamos dizendo que sentimos aquela dor juntamente com essa pessoa, que partilhamos desse sentimento. Alguns dicionários trazem palavras similares como “comiseração”, “compadecimento” e “compaixão” como possíveis significados de condolência. Percebe-se a ideia de um sentimento de pena ou dor comum, compartilhado entre o que dá e o que recebe as condolências, como marca distintiva da palavra.

Já o termo “pêsames” tem origem na expressão verbal “pesa-me”. Neste caso, quem oferece os pêsames expressa o seu próprio sentimento, manifestando que aquela situação de sofrimento do outro lhe traz um peso, uma pena grande. A diferença é sutil, porque a ideia de compaixão também está presente no contexto de quem oferece os pêsames. Mas o destaque fica com o sentimento de pesar, de fardo vivido pela situação do outro. 

Para alguns, a palavra “pêsames” é mais soturna e lúgubre. Pode soar mais negativa que a palavra “condolências”, que parece mais neutra. Além das pequenas diferenças de origem e significado, uma outra explicação é o uso dos pêsames quase que exclusivamente para mensagens de luto pela morte de alguém, vinculado ao ambiente de um funeral, enquanto as condolências podem ter um emprego mais abrangente.

Pêsames e condolências em francês e inglês.

É interessante notar que em línguas como o inglês e o francês não existe um termo correspondente a “pêsames”. Apenas as versões de “condolências” em cada idioma (“condolences”, “condoléances”) são utilizadas para expressar a compaixão pela perda do outro.

Tanto condolências quanto pêsames são palavras mais formais. Para muitos, essas palavras ficam melhor em uma mensagem escrita que em uma mensagem oral. Para outros, são termos que soam artificiais. Por isso, quem não se sente confortável com uma linguagem formal, pode dar preferência a palavras de uso mais comum, como “sentimentos”, que cumprirá a mesma função.

O importante é expressar os pêsames com sinceridade, respeito e compaixão.

Independentemente da palavra escolhida, o mais importante é manifestar sua solidariedade. Estar presente no momento de dor do outro, para oferecer suporte ou simplesmente mostrar seu carinho, será motivo de gratidão. Entendendo a dor do outro, o contexto de sua relação com o enlutado e com o falecido, você poderá adaptar sua mensagem de pêsames ou condolências para que suas palavras sejam ouvidas como palavras sinceras, respeitosas e compassivas. 

Seja com “meus pêsames”, com “minhas condolências” ou com “meus sentimentos”, o importante é se fazer presente e mostrar que você se importa.

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