Nos momentos mais difíceis da vida, quando nos despedimos dos nossos entes queridos, as tradições e rituais desempenham um papel fundamental. São eles que nos proporcionam conforto, nos ajudam a lidar com a perda e nos permitem honrar aqueles que já partiram. 

Entre essas tradições, uma das mais marcantes e simbólicas é o uso de jazigos em cemitérios como lugar de descanso eterno. 

Mas o que exatamente é um jazigo e por que ele é tão importante nesse processo de despedida? 

O que é um jazigo?

Um jazigo, em sua essência, é uma estrutura construída nos cemitérios para abrigar os restos mortais de uma ou mais pessoas. Essas estruturas variam em tamanho, estilo e design, refletindo as preferências culturais, religiosas e financeiras das famílias enlutadas. 

No entanto, independentemente de suas características físicas, os jazigos têm um propósito comum: oferecer um local sagrado onde familiares e amigos possam prestar homenagens, lembrar e manter viva a memória daqueles que partiram.

Conheça os tipos de jazigos e suas características.

Existem vários tipos de jazigos de cemitério, cada um com suas características distintas:

Jazigo familiar: Este tipo de jazigo é destinado a abrigar os membros de uma mesma família. Pode ser construído para comportar múltiplos caixões, proporcionando um local de descanso final para várias gerações.

Jazigo individual: Como o nome sugere, este tipo de jazigo é destinado a uma única pessoa. É comum encontrar jazigos individuais que foram adquiridos por indivíduos para seu próprio uso no momento do falecimento.

Jazigo comunitário: Em algumas culturas e regiões, os cemitérios oferecem jazigos comunitários para aqueles que não têm recursos para adquirir um jazigo próprio. Esses espaços são compartilhados entre várias famílias e costumam ser uma opção mais acessível.

Para saber mais sobre jazigos, leia o texto Tudo o que você precisa saber sobre jazigos

Para conhecer os tipos de jazigos disponíveis para aquisição no Cerejeiras, acesse Jazigo Cerejeiras.

A hora do adeus e a importância do jazigo na despedida.

O jazigo desempenha um papel fundamental no processo de luto e despedida por várias razões:

Perpetuação da memória: Um jazigo serve como um local tangível onde os entes queridos podem visitar para lembrar e honrar os falecidos. Essa conexão física com o local de descanso final ajuda na perpetuação da memória da pessoa falecida ao longo do tempo.

Respeito e reverência: A construção e manutenção de um jazigo demonstram um ato de respeito e reverência pelos falecidos. É uma maneira de mostrar amor e cuidado contínuo mesmo após a partida física.

Vínculo com a história familiar: Muitas vezes, os jazigos familiares se tornam parte integrante da história familiar. Eles são passados de uma geração para outra, criando um vínculo entre os entes queridos do passado, do presente e do futuro.

Espaço para reflexão e luto: Visitar o jazigo de um ente querido proporciona um espaço tranquilo para reflexão, oração e luto. É um momento para os vivos se conectarem espiritualmente com os que se foram e encontrarem consolo em meio à dor da perda.

Preservação da identidade cultural: Em muitas culturas, os jazigos são adornados com símbolos, arte e elementos decorativos que refletem a identidade e as crenças do falecido e de sua família. Esses detalhes ajudam a preservar a rica diversidade cultural e a transmitir tradições de uma geração para outra.

Local de encontro e reunião: Além de ser um espaço para a reflexão individual, os jazigos também podem servir como locais de encontro e reunião para familiares e amigos que desejam compartilhar memórias e confortar uns aos outros em momentos de dor.

Esses encontros podem fortalecer os laços familiares e comunitários, proporcionando um senso de apoio mútuo.

Os jazigos em cemitérios desempenham um papel vital na cultura e nas tradições de luto ao redor do mundo. Eles são mais do que simples estruturas de concreto; são locais sagrados que oferecem conforto, consolo, e um elo eterno entre os vivos e os que partiram.

Além disso, eles preservam a identidade cultural e servem como locais de encontro para a comunidade enlutada, fortalecendo os laços familiares e promovendo a união em tempos difíceis.

Você já olhou para os cemitérios sob a perspectiva de que eles são lugares repletos de arte, história e cultura? Talvez sua resposta tenha sido “não”, mas, embora muitas vezes eles sejam associados principalmente à tristeza e ao luto, esses espaços também abrigam uma riqueza de arte e cultura que refletem a diversidade das sociedades ao longo da história. 

Neste texto, exploraremos o que podemos encontrar desses aspectos em um cemitério, examinando monumentos, esculturas, arquitetura, simbolismo e rituais que revelam as complexidades da experiência humana com a morte e a memória.

Ao mergulharmos nesse mundo, descobriremos que os cemitérios não são apenas locais de despedida, mas também espaços de significado e reflexão que celebram a vida e a humanidade.

Monumentos e esculturas: expressões artísticas da memória.

Uma das formas mais evidentes de arte que encontramos em um cemitério são os monumentos e esculturas. Essas criações artísticas desempenham um papel crucial na preservação da memória e na homenagem aos entes queridos que partiram.

Cada monumento é uma narrativa visual que conta a história de uma vida, destacando realizações, paixões e personalidade. Em cemitérios de todo o mundo, podemos encontrar uma variedade impressionante de estilos e influências artísticas, desde estátuas clássicas que evocam a Antiguidade até esculturas contemporâneas que desafiam as convenções tradicionais.

Os cemitérios frequentemente abrigam esculturas que personificam conceitos abstratos como a morte, a ressurreição, a dor e esperança. Um exemplo notável disso é a famosa obra “Anjo da Dor” no Cemitério Protestante de Roma, esculpido por William Wetmore Story.

A escultura de um anjo de joelhos, com longas asas e chorando sobre o túmulo foi a forma que ele encontrou de homenagear a esposa e expressar seu sofrimento ao mesmo tempo com imponência e delicadeza.

A habilidade do artista em transmitir emoções e ideias complexas através da escultura é um testemunho da poderosa linguagem da arte encontrada nos cemitérios.

Arquitetura e paisagismo: espaços de reflexão e serenidade.

Além das esculturas e monumentos, a arquitetura e o paisagismo dos cemitérios desempenham papel fundamental na criação de uma atmosfera de serenidade e contemplação.

Eles muitas vezes incorporam elementos arquitetônicos que refletem a cultura de uma região, tornando-se locais de interesse arquitetônico e histórico.

A arquitetura em cemitérios frequentemente combina elementos de diferentes estilos, criando um mosaico visual que reflete as várias épocas e influências que moldaram a comunidade local.

O famoso Cemitério Père-Lachaise, em Paris, foi criado por Napoleão Bonaparte e é um exemplo notável de como a arquitetura pode transformar esse espaço em um museu ao ar livre.

Não é à toa que muitos roteiros de turismo sobre a cidade indicam-no como parada obrigatória. Há, inclusive, opções de passeios guiados pelo Père-Lachaise, nos quais os guias falam com detalhes não só sobre as riquezas culturais e arquitetônicas, mas também sobre a história de personalidades que estão enterradas no local, como Alan Kardec, Jim Morrison, Oscar Wilde e Édith Piaf.

Além disso, as sepulturas ornamentadas, os mausoléus impressionantes e as avenidas arborizadas proporcionam um ambiente que convida os visitantes a explorar e refletir. 

O paisagismo também desempenha um papel importante na criação de ambientes de tranquilidade. A escolha de árvores, flores e jardins em um cemitério pode influenciar a experiência dos visitantes, proporcionando um refúgio de paz em meio à agitação da vida cotidiana.

A simetria e a organização dos espaços verdes muitas vezes criam uma sensação de ordem e harmonia que convida à reflexão e à meditação.

Simbolismo e rituais: linguagens da memória e do ciclo da vida.

Os cemitérios também são ricos em simbolismo e rituais que fazem parte da cultura da sociedade onde estão inseridos. Os símbolos gravados em lápides e monumentos podem transmitir mensagens profundas sobre a vida e a morte, a fé religiosa e a identidade cultural.

Cruzes, Estrelas de Davi, crescentes lunares e outros ícones religiosos são frequentes em cemitérios, refletindo a diversidade de crenças espirituais.

Outro exemplo de simbolismo comum em cemitérios é a figura da caveira e dos ossos cruzados, muitas vezes associados à ideia de mortalidade.

No entanto, esses símbolos podem ter interpretações variadas, desde lembrar os vivos da efemeridade da vida até representar a transição da vida para a morte como parte de um ciclo natural.

Além do simbolismo, os rituais desempenham um papel fundamental na cultura dos cemitérios. Os enterros e as cerimônias funerárias variam significativamente de uma cultura para outra, mas todos têm em comum a intenção de honrar os mortos e fornecer conforto aos vivos.

A música, a leitura de poesia, as orações e os gestos simbólicos desempenham um papel importante nessas cerimônias, enriquecendo o aspecto cultural dos cemitérios.

Ressignificando os cemitérios: ambientes educativos e históricos.

Além de serem locais de arte e cultura, os cemitérios também podem servir como espaços de reflexão e educação.

Muitos oferecem passeios guiados que exploram a história e a arte presentes no local, permitindo que os visitantes aprendam sobre as personalidades notáveis que foram enterradas ali e a influência que tiveram em suas comunidades.

O Cemitério Judaico de Praga, na República Tcheca, é um dos maiores exemplos. Criado em 1439, o local é um testemunho da resiliência e da importância da cultura judaica na cidade ao longo dos séculos e é visitado por milhares de turistas e estudiosos que buscam aprender mais sobre essa parte vital da história de Praga e do povo judeu.

Por ter uma área pequena em relação ao tamanho da comunidade judaica na região, esse cemitério é o mais superlotado do continente europeu, com estimativa de mais de 100 mil corpos enterrados.

Por cerca de 300 anos, era o único lugar onde os judeus podiam ser sepultados, às vezes com dez corpos sendo colocados de maneira sobreposta em uma única cova.

Em Buenos Aires, na Argentina, também é possível fazer um passeio histórico pelo Cemitério da Recoleta.

Nele, estão sepultados líderes políticos, escritores renomados, artistas e figuras históricas do país, como Eva Perón, a Evita, ex-primeira-dama argentina, falecida em 1952 aos 33 anos de idade, mas que, até hoje, é considerada um dos maiores símbolos do povo pobre e trabalhador.

A própria história do Cemitério da Recoleta já ensina muito sobre a cidade de Buenos Aires e suas transformações: construído como um cemitério público, passou a ser um local de sepultamento de famílias abastadas, que se mudaram para o bairro no final do século XIX, a fim de fugirem da epidemia de febre amarela que acometia outros bairros da cidade.

Você sabia que existe um cemitério flutuante? Esse é o Memorial USS Arizona, localizado em Pearl Harbor, no Havaí (EUA).

Para chegar até ele é necessária uma balsa, pois está construído sobre um navio naufragado, o USS Arizona, que foi afundado pelas forças japonesas.

É o local de descanso final para as 1.102 pessoas que perderam a vida durante esse ataque a Pearl Harbor, ocorrido em 7 de dezembro de 1941, o que resultou na entrada oficial dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Memorial Parque das Cerejeiras: planejado para ser um espaço de acolhimento.

O Parque das Cerejeiras também se insere neste contexto, como um espaço de arquitetura, arte e memória.

Abrange uma extensão de mais de 300.000 metros quadrados: mais da metade desse espaço é dedicada à conservação ambiental.

Com suas encantadoras praças, trilhas ecológicas e serenos lagos adornados com carpas, o Cerejeiras proporciona uma vista deslumbrante do Parque Estadual Guarapiranga, oferecendo um ambiente confortável e acolhedor para seus visitantes.

Através da Arquitetura do Acolhimento, o Cerejeiras foi planejado para receber famílias e oferecer conforto em um momento de tristeza, transformando o espaço em um ambiente propício para a reflexão e para eternizar a memória de quem amamos. 

No projeto da arquiteta Crisa Santos, as edificações contam com traços orgânicos, abraçadas pela natureza, reconectando o ser humano com suas sensações mais instintivas.

Outra característica única do local é a coleção de 22 esculturas em madeira criadas pelo artista Hugo França.

Ele constrói e esculpe bancos com árvores que seriam cortadas por estarem condenadas ou que caíram de forma natural, dando-lhes uma nova vida como peças de uso público. Além disso, o espaço abriga duas esculturas da renomada artista plástica Alê Bufe: a obra “Árvore” e a peça “Ciclo”.

Assim, mais que um cemitério, o Cerejeiras é um espaço que irradia cultura, arte e paisagismo, tornando-se um local de inspiração e contemplação, onde a beleza da natureza e a expressão artística se unem para enriquecer a experiência dos visitantes.

Como cuidar de idosos com Alzheimer?

Como cuidar de idosos com Alzheimer é a preocupação de muitas famílias, visto que é estimado que 50 milhões de pessoas sofram com a doença no mundo todo. Só no Brasil são cerca de 100 mil novos casos por ano, atingindo 11,5% da população idosa brasileira.

Para ajudar com dicas que possam ser úteis no dia a dia de cuidadores de pessoas com o Mal de Alzheimer, fizemos uma lista com sugestões simples, mas que são bastante eficientes para oferecer bem-estar àqueles que sofrem com a doença.

Mal de Alzheimer: o que é e como prevenir?

Chamada de doença de Alzheimer ou Mal de Alzheimer, ela é neurodegenerativa que age de forma gradativa e progressiva, tendo quatro estágiosinicial, moderado, grave e terminal. 

Quem a descobriu foi o psiquiatra e neuropatologista Alois Alzheimer, em 1906, ao estudar o cérebro de sua paciente August D, uma mulher de histórico saudável, falecida aos 51 anos e que apresentava lesões cerebrais em áreas não analisadas até então.

O Mal de Alzheimer provoca alterações em certas funções cerebrais, porque as células dessa região vão se degenerando e morrendo. 

As consequências desse processo no cérebro são problemas de memória, linguagem e comportamento, levando ao esquecimento frequente, até mesmo de situações que acabaram de acontecer, mudanças repentinas de humor, dificuldade para falar, raciocínio pouco claro, além de perda da percepção de tempo e espaço, entre outros sintomas.

A melhor forma de prevenir o Alzheimer é realizar atividades que exercitem o cérebro e mantenha-o sempre ativo, assim como ter uma vida que proporcione bem- estar mental, evitando estresse prolongado e mantendo a rotina com hobbies saudáveis e vínculos afetivos. 

Ter cuidados com os aspectos cardiovasculares do corpo também é fundamental, já que pesquisas mostram que o desenvolvimento de certas enfermidades, como hipertensão, colesterol alto e diabetes, hipertensão e colesterol, pode estar atrelado ao Alzheimer.

Cuidar da autoestima e autonomia do idoso é essencial.

O idoso com Alzheimer pode ficar com a autoestima baixa pelas mudanças que a doença ocasiona. Ele pode se sentir mais incapaz e inábil devido às confusões mentais e dificuldades para se locomover. 

Dessa forma, é importante que seus cuidadores permitam que os idosos continuem realizando pequenas tarefas que faziam parte de sua rotina, para manter o sentimento de independência.

Além disso, é muito importante que os cuidados pessoais e de higiene também sejam mantidos, ajudando a preservar a autoestima de quem sofre de Alzheimer. 

Usar cosméticos, perfumes, se arrumar com as roupas de que gosta são alguns detalhes que parecem pequenos, mas que podem fazer a diferença, principalmente no aspecto psicológico.

Adaptações no ambiente podem ser necessárias.

Uma preocupação comum sobre como cuidar de idosos com Alzheimer refere- se às dificuldades de locomoção que eles possam apresentar. Para evitar que eles caiam, tropecem e se machuquem, algumas medidas podem ser tomadas. 

Uma das principais é não mudar objetos de uso rotineiro de lugar. Com a dificuldade para se locomover junto com as confusões mentais, o ideal é deixá-los nos lugares conhecidos e acessíveis para aqueles que estão na terceira idade, a fim de evitar maiores transtornos.

Outro cuidado que deve ser tomado é com os pisos e tapetes, já que eles podem ser escorregadios. Optar pelos produtos antiderrapantes é uma boa saída.

Manter os espaços de circulação livres também é uma excelente solução, porque, assim, o ambiente fica amplo e o idoso não enfrenta ainda mais dificuldade para ir de um cômodo a outro.

Cautelas na hora do banho são igualmente importantes. As portas devem ficar destrancadas para que, em caso de acidente, o idoso possa ser socorrido. Ademais, colocar barras de apoio próximas ao chuveiro e vaso sanitário é essencial para que eles tenham auxílio para se levantar e se deslocar pelo cômodo com mais segurança.

Alimentação saudável é sinônimo de bom envelhecimento físico.

Ao pensar em como cuidar de idosos com Alzheimer, muitas pessoas se limitam aos aspectos relacionados às dificuldades motoras e mentais, e acabam se esquecendo de um pilar muito importante: o da alimentação saudável.

Consultar um nutricionista, para que planeje uma dieta adequada às necessidades das pessoas idosas, é essencial. Até porque, algumas adversidades podem surgir não só por conta da doença de Alzheimer, como também pelo próprio avançar da idade.

Pode haver dificuldade para mastigar e/ou deglutir, além de problemas gastrointestinais. 

Provavelmente, nesse cardápio estarão alimentos que contenham cálcio, como leite, oleaginosas e verduras de coloração verde escuro, a fim de auxiliar no fortalecimento ósseo

Para melhorar a absorção do cálcio pelo organismo, a vitamina D é imprescindível, podendo ser encontrada em frutos do mar e óleos de peixe, ou até em forma de suplementos. 

O zinco, presente em alimentos como peixes e ovos, é outro mineral essencial para pessoas idosas, pois atua como antioxidante e auxilia na saúde do sistema imunológico.

Para quem tem Alzheimer ou existe a propensão para a doença, é fundamental incluir ômega 3 na dieta, disponível em cápsulas ou alimentos como nozes, salmão e sardinha. 

Ele melhora as sinapses feitas pelo cérebro, ou seja, as conexões feitas entre os neurônios, além de auxiliar no aumento de neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, melhorando o humor e sensação de bem-estar.

Sono saudável é pilar essencial para quem sofre com Alzheimer.

Pessoas que sofrem com Mal de Alzheimer costumam enfrentar problemas com o sono, como apneia e insônia. Há dificuldade para dormir ou, quando conseguem, é um sono fragmentado e não reparador.

Sendo assim, é comum que quem sofre de Alzheimer acabe dormindo muito durante o dia. Cochilos podem acontecer, porém eles não devem durar mais que duas horas no dia, justamente para não afetar ainda mais o sono noturno. 

Ter uma rotina em que o idoso se mantenha ocupado e ativo durante o dia também é importante, porque, desse modo, ele é impedido de dormir muito durante esse período, melhorando o seu sono da noite e evitando, consequentemente, outros problemas físicos que podem ser causados pela má qualidade do descanso, como a hipertensão.

Manter a vida social e de lazer não pode faltar no cotidiano.

Rotina ativa e com laços afetivos é primordial para melhorar a qualidade de vida de pessoas com Mal de Alzheimer. 

Devido à idade e o avançar da doença, muitos acabam ficando afastados das pessoas que amam e não realizam atividades prazerosas com frequência. 

Ter hobbies ajuda não apenas na parte física e mental, visto que estimulam a atividade cerebral, mas também na socialização, pois é uma ótima maneira de fazer novos amigos.

As atividades escolhidas devem respeitar o estágio da doença de Alzheimer em que o idoso se encontra. Ambientes muito cheios ou barulhentos podem não ser uma boa ideia, devido à quantidade de estímulos provocados. 

Se houver dificuldade de locomoção, há opções em que o deslocamento não é tão frequente, como aquelas relacionadas à arteterapia.

O essencial ao cuidar de idosos com Alzheimer é oferecer respeito, paciência e afeto, pois, com certeza, são estes os aspectos essenciais para que eles se sintam amados e acolhidos por seus familiares, amigos e cuidadores.

Marcas Eternas: refletindo sobre o legado e o impacto do digital na Era da Memória Virtual.

Não fomos educados para conviver com a morte, e mesmo tendo consciência de que ela faz parte do ciclo da vida, tentamos ignorá-la ou até mesmo fugir de tudo que possa lembrá-la. 

Há um movimento da nossa cultura de interditar e desqualificar qualquer fala e pensamento sobre morte e morrer. No entanto, sabemos que a morte faz parte do desenvolvimento humano e precisamos compreendê-la melhor.

Para refletir sobre o legado da vida e além.

Gostaríamos de deixar algumas reflexões, que para muitos podem parecer fora de propósito ou inoportunas, mas que para nós que lidamos com as famílias enlutadas fazem uma significativa diferença.

1 – Você já pensou em que gostaria de deixar como marca de sua vida?

2 – O que você gostaria que escrevessem em sua lápide?

3 – Por quais histórias, feitos e memória gostaria de ser lembrado?

4 – Seus amigos e familiares sabem do que você gosta? Se morresse hoje, como gostaria que fosse sua cerimônia e sepultamento?

5 – Gostaria de ser sepultado ou cremado? Já disse isso para alguém?

6 – Quais objetos que lhe são caros e de valor sentimental, você deixaria? Já pensou para quem gostaria de deixar?

7 – E seu patrimônio digital, plataformas como Instagram, Facebook, Twitter, LinkedIn,

TikTok, WhatsApp, quem deixaria como administrador? Que destino gostaria de dar a eles?

Teríamos muitas outras questões para levantar, mas para você que chegou até aqui, ficam as perguntas para responder individualmente e em seu tempo. 

Só se lembrem que a vida é um intervalo entre duas datas: o seu nascimento e sua morte. O tema morte nos convida à reflexão sobre a vida e sobre o que temos feito com ela. 

Ter consciência da nossa finitude e impermanência nessa vida é o que nos permite compreender o verdadeiro significado da vida. O que queremos é poder ajudá-lo quando você não estiver mais aqui fisicamente. Por isso, falamos nesse texto de legado.

Legado de vida: permanecendo vivo nas memórias afetivas.

Legado significa herança de cunho mais sentimental do que material, transmissão, patrimônio, testamento, o que é transmitido a outro, o que fica como lembrança, ou seja: uma vida que faça sentido, que tenha um significado e que possua uma direção.

Deveríamos ser lembrados pelas coisas que fizemos, de que gostávamos e até pelas coisas de que não gostávamos. Legado é aquilo que traduz quem foi a pessoa, como ela viveu e como ela gostaria de ser lembrada. 

Dito de outra forma: legado é aquilo que se transmite dentro do coração de alguém. Por isso, ele é atemporal. Por isso, ele é a presença viva da ausência, é tudo aquilo que permanece e resiste ao tempo. 

Um legado não precisa ser exuberante, ele só precisa representar quem nós fomos para as gerações que virão. Desta forma, estaremos eternamente vivos. 

Mas precisamos “em vida” deixar isso transparente: não como marca de mortalidade, ao contrário, como marca de imortalidade.

Quando falamos de Airton Senna, somos automaticamente impulsionados a pensar na genialidade de sua carreira e na humildade de sua pessoa. Quando falamos de Gal Costa, ouvimos a sonoridade de sua voz. 

Esses feitos são heranças que ambos deixaram por toda a vida e que não se apagarão jamais. Embora não sendo famosos, deixamos sempre legados

Um apelido, uma comida de que gostávamos, um filme, uma expressão falada repetidas vezes, uma mania, enfim, seremos lembrados por algum feito. 

Ana Bacalhau, cantora portuguesa, traz o seguinte refrão que define bem o que é legado: “Quem era, como era. Somos só memória à espera de não sermos esquecidos.”

Separe fotos, bilhetes, senhas de banco, documentos importantes e o que considerar relevante e armazene em uma caixa e avise alguém da existência dela. 

Além de ajudar sua família em um momento difícil, você já estará contando do seu amor por eles.

Legado digital: preservando memórias e heranças virtuais.

Muitos estudos e pesquisas vêm sendo realizados nos últimos tempos acerca do legado digital, ou seja, com o advento da internet, mídias sociais e mensagens eletrônicas, a grande preocupação é como proteger, armazenar ou apagar esse acervo de informações que é patrimônio sentimental e pessoal da pessoa falecida e da família. 

Nazaré P. Jacobucci* realizou um longo trabalho de pesquisa sobre plataformas digitais como Instagram, Twitter, Tik Tok, WhatsApp. 

A discussão gira em torno das implicações éticas sobre o destino desse legado digital. Segundo ela, essa é uma polêmica discussão e pode gerar muitos conflitos familiares. 

O sujeito da pós-modernidade está vivendo alguns dilemas, como por exemplo: que destino dar aos seus ativos digitais?

A literatura apresenta 4 opções diferentes de acordo com as intenções do sujeito ao seu legado digital, ou por alguém responsável para tal tarefa. São elas:

1 – Fechar as contas.

2 – Transformar em um memorial.

3 – Transferir as contas para outra pessoa.

4 – Ignorar.

Em outro artigo de blog publicado pelo Cerejeiras, intitulado “Luto nas redes sociais –Devo manter ou deletar o perfil do falecido?”, vários aspectos de como lidar com o luto nas redes sociais são abordados de forma prática, inclusive nas mídias sociais mais populares, como Facebook e Instagram.

Por fim e não menos importante, temos a exposição por terceiros de imagens não autorizadas pela família. 

Nazaré P. Jacobucci* discute em sua pesquisa sobre o quão complexo e delicado pode ser expor a imagem ou o motivo da morte de alguém em sua mídia social, especialmente se você não é um familiar próximo da pessoa que morreu. 

Essa atitude de compartilhar a morte em plataformas virtuais pode acarretar agravos no processo de luto do familiar que perdeu um ente querido. 

É desse lugar de memórias e histórias que eternizamos nossos amores, justificando inclusive nossa saudade que tem nome e sobrenome.

Construindo um legado para a eternidade.

Refletir sobre a morte e o legado que deixamos é um exercício essencial para dar sentido à vida e compreender nossa finitude. 

Enquanto a sociedade muitas vezes evita o assunto, enfrentá-lo nos permite compreender a importância de viver plenamente e construir um legado que reflita nossos valores e essência.

O legado vai além do material, é o que permanece no coração das pessoas, as lembranças, histórias e afetos que deixamos. 

É importante pensar sobre como gostaríamos de ser lembrados e como podemos impactar positivamente a vida daqueles que nos cercam.

O mundo digital trouxe novos desafios para preservar esse legado, e é fundamental refletir sobre o destino de nossos ativos digitais

A conscientização sobre a exposição das informações pessoais após a morte é crucial para evitar conflitos e preservar a memória do ente querido.

Ao encarar a temática do legado de forma aberta e responsável, podemos construir uma jornada significativa e perene, que transcende o tempo e nos mantém vivos nas lembranças e corações daqueles que tocamos com nossa existência. 

Afinal, o que verdadeiramente importa é o impacto que causamos na vida das pessoas e o amor que deixamos como herança duradoura.


Este texto foi desenvolvido pelo Centro de Psicologia Maiêutica em colaboração com o Cerejeiras

* Jacobucci. A.N.P, Legado digital: conhecimento, decisão e significado – viver, morrer e enlutar-se na era digital. Ed Appris/2023.