O Dia das Mães é uma data de celebração, afeto e gratidão. Mas, para aqueles que
perderam suas mães, esse dia pode trazer um vazio difícil de expressar.
Em meio às homenagens e recordações, a saudade se intensifica, e o coração busca
formas de lidar com essa ausência tão significativa. É natural vivenciar diferentes
fases do luto e sentir um misto de emoções – tristeza, amor, gratidão e até mesmo
lembrar de palavras que ficaram por dizer.
Escrever uma carta para sua mãe pode ser uma maneira delicada e poderosa de
honrar sua memória e seu legado. Colocar em palavras o que ficou guardado no
coração ajuda a organizar os sentimentos, expressar o amor que ainda existe e, de
certa forma, sentir-se mais próximo dela.
Esse exercício terapêutico permite que a saudade ganhe forma e significado, trazendo conforto e acolhimento ao longo do processo.
É importante considerar que, embora a ideia das fases do luto — como negação,
raiva, barganha, tristeza e aceitação — seja amplamente conhecida, especialistas
ressaltam que ela não deve ser encarada como uma sequência rígida e universal. O
luto é uma experiência singular, e cada pessoa encontra seu próprio caminho para lidar com a perda.
O luto e o legado materno: ficamos entre a saudade e a presença no coração.
O luto é um caminho repleto de altos e baixos, em que cada pessoa vivencia a perda
de maneira única. Embora muitos passem por sentimentos variados e identificados
com fases do luto como negação, raiva, tristeza, aceitação e ressignificação, essas
etapas não ocorrem de forma linear, e os sentimentos podem se misturar ao longo do
tempo.
Quando se trata da perda de uma mãe, o impacto vai além da ausência: é também a
saudade das palavras de incentivo, dos gestos de carinho e da segurança que sua
presença trazia. É como se faltasse um lastro na existência.
No entanto, seu legado permanece vivo por meio das lições transmitidas, nos valores
ensinados e até nos pequenos detalhes do dia a dia que remetem a ela.
Com o tempo, a dor pode se transformar em uma nova forma de conexão, onde a
presença materna se faz sentir não apenas na lembrança, mas na forma como sua
influência continua moldando a vida dos filhos.
A escrita pode ser terapêutica e ajudar a lidar com os estágios do luto.
A escrita tem um poder transformador quando se trata de lidar com emoções
profundas, especialmente diante dos diferentes estágios do luto e da mescla de
sentimentos que costuma surgir nesse processo.
Expressar sentimentos por meio das palavras pode ajudar a organizar pensamentos,
aliviar a dor e trazer uma sensação de acolhimento.
No processo de despedida, quando a saudade se intensifica, escrever pode ser um ato de cuidado consigo mesmo, uma maneira de elaborar o ocorrido, de dar voz ao que ainda precisa ser dito e encontrar significado na ausência.
Ao escrever uma carta para sua mãe, você permite que memórias, sentimentos e
palavras encontrem um caminho para fora do coração.
Esse exercício pode ser uma forma de criar sua própria mensagem de luto,
reafirmando o amor, relembrando momentos especiais e trazendo conforto em meio à dor e à saudade. Mais do que um simples texto, essa prática pode se tornar um ritual de conexão e cura, ajudando a ressignificar a despedida.
A escrita possibilita que o vínculo com sua mãe permaneça vivo de uma nova maneira, acompanhando você em sua jornada de luto com mais leveza.
Como escrever uma carta à mãe para dar voz ao carinho e amor?
Escrever uma carta para sua mãe no Dia das Mães é um processo íntimo e libertador.
Não há regras rígidas, pois o mais importante é permitir que os sentimentos fluam de
maneira autêntica. No entanto, seguir uma estrutura pode ajudar a organizar os
pensamentos e tornar esse momento ainda mais significativo.
Você pode começar a carta com uma saudação afetuosa, como se estivesse realmente se dirigindo a ela.
Em seguida, compartilhe seus sentimentos atuais. Fale sobre a saudade, o impacto da
ausência e como a presença dela ainda se faz sentir em sua vida.
Esse também é um espaço para relembrar memórias especiais, mencionar momentos marcantes e expressar gratidão por tudo o que ela significou para você. Caso haja palavras que ficaram por dizer, este é o momento de colocá-las no papel — seja para pedir desculpas, dizer “eu te amo” ou simplesmente conversar sobre algo que gostaria que ela soubesse.
Concluir uma carta para alguém que partiu pode ser um desafio, pois o coração
sempre terá mais a dizer em uma mensagem de luto. No entanto, o fechamento desse momento não significa um adeus definitivo, mas uma pausa que permite que a
saudade encontre um espaço mais sereno dentro de você.
Pode ser uma despedida carinhosa, reafirmando o quanto ela foi e sempre será
importante para você, ou um “até logo”, dizendo que haverá mais cartas, quando
quiser contar alguma novidade ou desabafar.
Algumas pessoas gostam de escrever como se estivessem enviando a carta para
algum lugar especial, imaginando que suas palavras, de alguma forma, chegarão até
sua mãe. O mais importante é que esse momento traga conforto, permitindo que suas
emoções se expressem com sinceridade e leveza.
Apegue-se aos simbolismos e torne o momento dessa escrita ainda mais especial e acolhedor.
Além das palavras colocadas no papel, o momento após a escrita da carta também
pode ser simbólico.
Algumas pessoas preferem guardá-la em um local especial, enquanto outras escolhem lê-la em voz alta ou deixá-la em algum lugar que remeta à mãe, como próximo a uma fotografia ou em um jardim.
Há quem sinta vontade de transformar esse momento em um pequeno ritual,
acendendo uma vela ou ouvindo uma música que traga boas lembranças do que
viveram juntos.
Seja qual for a escolha, o essencial é que esse gesto traga acolhimento e paz, permitindo que a despedida e a mensagem de luto sejam também formas de manter o vínculo vivo de maneira amorosa e profunda.
Para se inspirar nesse processo, assista ao nosso vídeo, no qual homenageamos o legado de todas as mães por meio da leitura emocionante da carta “O Legado da
Minha Mãe”, escrita pela psicóloga Lélia Faleiros para sua matriarca:
E lembre-se: o amor de uma mãe é infindável, porque ele se transforma em força
dentro de nós.
Este texto foi desenvolvido pelo Centro de Psicologia Maiêutica em colaboração com o Cerejeiras