Grupo de apoio ao luto

Precisamos de lugares onde nossa dor possa sentar, conversar, jantar, deitar e, aquecida pelo sol, sonhar com dia melhores.” Partindo dessas belas palavras da psicóloga Teresa Gouveia, sabemos que o luto é um processo, é uma caminhada de longa duração vivida em decorrência do rompimento de um forte laço afetivo, por isso, a importância do grupo de apoio ao luto

O grau de sofrimento e de dor corresponde aos laços afetivos que as pessoas mais próximas têm umas com as outras, dos modelos de vinculação adquiridos e da cultura. A vivência do luto é absolutamente individual e sem regras definidas.

Caracteriza-se como uma das experiências mais dolorosas vivenciadas pelo ser humano, na qual há a ocorrência de um conjunto de sentimentos que precisam de tempo para ser compreendidos e reabsorvidos.

O que é o luto e suas implicações.

Os estudos apontam que o luto é um período de transição psicossocial que atinge os relacionamentos tanto interpessoais (de uma pessoa com a outra) como intrapessoais (da pessoa em relação a ela mesma), refletindo-se na forma como a pessoa vivencia o mundo e as relações com o meio social.

Nós, especialistas em luto, sabemos que as emoções vivenciadas nesse momento podem afetar a saúde física (saiba mais em nosso artigo sobre Luto e Saúde) e a saúde mental (veja nosso blog sobre Luto e Saúde Mental), produzindo grandes danos para os enlutados.

Por todos esses fatores, compreendemos que o luto é um processo que requer cuidados especiais e muitas vezes é importante contar com o suporte de outras pessoas. O Centro de Psicologia Maiêutica afirma que “a rede de apoio pode ser múltipla, indo desde amigos e parentes, até profissionais e também outros enlutados, como no caso de frequentar um grupo de apoio ao luto”.

A importância dos grupos de apoio ao luto.

O ser humano sempre foi de característica coletiva e de nutrir relações. No entanto, o enlutamento produz por si só sentimentos de muita solidão

Os grupos de apoio ao luto conduzidos por especialistas constituem ótimas ocasiões de intervenções nesse processo, cujo enfoque é promover um espaço de mútua ajuda, sociabilidade, validação de reações de perda, bem como de aprendizagem de novos comportamentos e ações frente ao luto.

No grupo de apoio, a pessoa é acolhida sem julgamentos e sua forma de lidar com a própria dor é respeitada. O acompanhamento profissional de quem conduz também faz muita diferença para compreender os processos que envolvem tal fase e sanar as dúvidas. 

Os especialistas afirmam que participar de um grupo de apoio ao luto pode auxiliar na condução de um processo mais saudável e a evitar doenças ligadas à saúde mental em decorrência da dor da perda.

A oportunidade de falar e também de ouvir o outro traz sensações de amparo e conforto. Perceber que mais pessoas vivenciam situações semelhantes ou tiveram processos diferentes ajuda a amenizar a sensação de solidão nessa caminhada do luto e a aprender mais sobre o assunto. 

Ao trocar experiências, é possível compreender melhor os próprios sentimentos, o que tem efeito terapêutico. Quando a família participa dos encontros, é comum descobrir percepções e sentimentos de alguém muito próximo que, até então, eram desconhecidos.

Assim, trata-se de uma oportunidade de pausa para o reencontro interiorcom o outro, com o objetivo de enfrentar esse momento difícil.

Grupos de apoio ao luto no Cerejeiras.

Aqui, no Cerejeiras, esse trabalho de humanização e acolhimento às famílias enlutadas acontece de inúmeras formas durante todo o ano e de forma gratuita. 

Em 2023, os grupos de apoio acontecerão em maio e setembro, sempre conduzidos por especialistas. Mais informações podem ser adquiridas pelos telefones (11) 4040-5767 e (11) 5832-5977.

Vale destacar que o caráter dos encontros não tem cunho religioso, é de conversa, troca de experiências, suporte profissional da Psicologia do Lutode acolhimento. 

Além disso, o intuito é o de oferecer aos participantes a chance de falar sobre suas experiências e seus sentimentos, como também o de poder escutar outras pessoas. 

Da mesma forma, o direito de permanecer em silêncio precisa ser respeitado.  Afinal, nem todos se sentem à vontade em compartilhar, mas podem receber muito amparo apenas com a escuta.

 


O Cerejeiras oferece suporte além dos grupos de apoio.

O Cerejeiras disponibiliza também outras atividades de apoio ao luto, como as citadas abaixo, para que todos possam escolher aquela com que mais se identifica:

1 – Todo terceiro domingo do mês, após a missa (que proporciona apoio espiritual), há uma palestra com especialistas: “conversando sobre a dor da perda”.

2 – Plantão psicológico: após as palestras, disponibilizamos um espaço para orientações às famílias.

3 – Material de suporte gráfico: o Cerejeiras disponibiliza materiais gráficos que abordam diversos temas ligado ao luto e a perda, esclarecendo dúvidas e trazendo um pouco do conforto e amparo necessários nesse momento.

Eles estão no blog e em flyers espalhados nas dependências do cemitério.

4 – Oficinas e caminhadas de homenagens aos falecidos em datas comemorativas.

5 – Oficinas com crianças para lidar com o tema do luto, que ocorrem no Dia de Finados.

Seja qual for a escolha, o Memorial Parque das Cerejeiras está sempre à disposição para ajudar nesse momento que sabemos que é tão difícil e delicado.

Este texto foi desenvolvido pelo Centro de Psicologia Maiêutica em colaboração com o Cerejeiras

funerais ao redor do mundo
Os funerais são rituais presentes em diversas culturas, mas cada uma delas pode ter características diferentes. No Brasil, por exemplo, é comum que o funeral aconteça em, no máximo, 48h após a morte.  Já em outros locais, ele pode acontecer duas semanas após o falecimento. Em alguns funerais, a regra é o silêncio, enquanto em outros há banda de jazz celebrando a vida de quem se foi. São modos diferentes de encarar a morte, porém, em todos eles, o que não falta é o amor e as boas lembranças.

Funeral com Jazz: tradição em Nova Orleans.

Talvez você já tenha ouvido falar que Nova Orleans, na Louisiana (EUA), é a cidade que originou um dos estilos musicais mais apreciados: o jazz. Quem vai conhecê-la, certamente não sairá de lá sem ter visto grupos tocando nas esquinas e em casas destinadas ao gênero. Essa tradição tem origem desde o período escravocrata do país, quando negros se reuniam nas praças para cantar e dançar, caso fossem libertos ou não estivessem sob trabalho forçado. Em uma cidade que respira jazz, é claro que os funerais também seriam repletos de músicas. Ali é comum que, no caminho até o cemitério,as bandas toquem canções mais lentas e tristes. Após o enterro, elas mudam de tom e ganham um  aspecto comemorativo, para celebrar a vida e a memória da pessoa com alegria.

Funeral japonês: o silêncio é sinal de respeito.

Os funerais japoneses costumam acontecer na casa do falecido, embora haja casas especializadas em realizar o ritual. Tradicionalmente, quem prepara o falecido para a cerimônia são os familiares, principalmente o filho mais velho. Durante o funeral, um monge recita sutras, que são palavras e ensinamentos sagrados presentes na religião budista, uma das principais do país. Além disso, as pessoas presentes na cerimônia acendem incensos, rezam e cumprimentam o falecido, seguindo a ordem hierárquica de familiares próximos, parentes e amigos. Também é comum que estes familiares recebam envelopes com quantias de dinheiro como contribuição daqueles que estão no funeral, uma forma de colaborar financeiramente com os custos. O silêncio é uma das maneiras mais importantes de demonstrar respeito ao falecido e sua família em um funeral japonês. Inclusive, choros muito exagerados ou barulhentos são evitados, a fim de não deixar uma energia negativa pelo ambiente onde ocorre o ritual.

Longa preparação define o funeral na Alemanha

Nada de pressa. Na Alemanha, o funeral não é um processo feito às pressas, pelo contrário, ele pode acontecer só a partir de dois dias após o falecimento, às vezes demorando até duas semanas para ocorrer. Familiares e amigos do falecido recebem um cartão com as principais informações sobre a cerimônia e o retribuem com outro cartão, este com mensagens de afeto e de condolências. Essa espera para iniciar o funeral do ente querido permite que a morte seja melhor assimilada, o que evita grandes demonstrações de tristeza durante a cerimônia. Depois do funeral e do sepultamento, é bastante tradicional que familiares e amigos do falecido se reúnam para comer juntos com o intuito de conversarem melhor e compartilharem lembranças sobre ele.

Como é o famoso funeral dos Estados Unidos?

Quem já assistiu a filmes e séries norte-americanas certamente já viu alguma cena de um funeral. Boa parte do ritual mostrado nas telas realmente acontece e faz jus ao imaginário popular.

Assim como na Alemanha e em outros locais da Europa, é comum que o funeral ocorra dias após o falecimento da pessoa.

Isso ocorre por duas razões: para que familiares e amigos possam elaborar melhor a perda, além de ser uma forma de permitir que todos cheguem a tempo para a cerimônia, ainda mais em um país em que é bastante comum que membros da mesma família vivam em cidades bem distantes.

O traje também é importante: roupas pretas e sóbrias para simbolizar o luto. Durante o funeral, uma série de homenagens são prestadas ao falecido, seja por meio de discursos, fotos e coroas de flores. 

Outro costume é a presença de um buffet para os parentes e amigos, como uma forma de trazer um pouco de conforto para quem acabou de perder uma pessoa importante e amada.

Funeral no México é um culto à vida!

A morte não é um tema evitado no México, sendo abordada até com as crianças, que vão se familiarizando com o assunto desde cedo. Isso já demonstra uma diferença sobre o tratamento da morte em relação a outros lugares do mundo. 

Quando alguém morre no México, este momento não é apenas para pensar sobre o fim da vida, mas também para celebrá-la

Além disso, acredita-se que após a morte falecido reencontrará seus antepassados. A origem dessa visão sobre a morte é bastante antiga, baseada nas crenças dos povos indígenas nativos da região.

É por essas razões que os funerais no México costumam ter um clima mais alegre e festivo

Em cidades menores, é comum que todo o funeral seja organizado pelos familiares, que preparam o falecido para esse momento e fazem um cortejo pelas ruas da cidade até chegar ao local do sepultamento.

Para os mexicanos, inclusive, o Dia de Finados, que eles chamam de Día de Los Muertos, é uma data de muita felicidade e de comemoração, não de dor e tristeza.

Eles acreditam que, nessa data, os vivos ganham a visita daqueles que já foram e, portanto, os recebem com alegria, com as músicas, comidas e bebidas que gostavam enquanto vivos, celebrando o reencontro.

Sonhar com morte:
Sonhar com a morte geralmente não é uma experiência feliz ou agradável. No entanto, há diversas maneiras da morte aparecer em um sonho e mais de um significado para este acontecimento.  Antes de analisarmos o significado de sonhar com a mortedevemos entender o que é o sonho e como o nosso cérebro e nosso corpo se comportam durante o sonho.

Veja o que a ciência diz a respeito de sonhar com a morte:

É necessário simplificar bastante para definir o que é um sonho. Em linhas gerais, o sonho é basicamente aquilo que você vê e escuta enquanto dorme. O criador da Psicanálise, Sigmund Freud, argumentou que os sonhos são mensagens do inconsciente sobre os desejos reprimidos. 

Carl Jung, colega de Freud que contestou muitas de suas ideias, sugeriu que os sonhos tinham uma finalidade: seriam uma tentativa da própria consciência para regular e compensar situações vividas. 

Para o neurocientista Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, os sonhos são um aprendizado “lento e gradual que provavelmente começa no útero materno, com a formação das primeiras representações sensoriais na fronteira do corpo com o mundo exterior”.

Qual o significado de sonhar com a morte?

Sonhar com a morte, independentemente do contexto, gera muitos sentimentos e frequentemente faz os sonhadores acordarem inquietos e curiosos para entender o significado de um sonho com a morte. 

Se pararmos para pensar, a morte é, ao mesmo tempo, o grande mistério e a grande certeza das nossas vidas.

Sonhar com a morte é sempre ruim?

A morte traz dor e saudade para os que ficam, mas pode trazer alívio e descanso para os que se vão. Dessa maneira, o significado de sonhar com a morte nem sempre precisa ser interpretado como algo ruim, e muitas vezes simboliza um momento de transição. Afinal, a morte propriamente dita é isso.

Sonhar com a própria morte tem algum significado?

De todas as variáveis de sonhos com morte possíveis, sonhar com a própria morte certamente ocupa o primeiro lugar no ranking dos sonhos mais apavorantes e indesejáveis. 

No entanto, fala-se que este tipo de sonho não deve ser motivo de preocupação, pois sonhar com a própria morte pode indicar um novo ciclo em sua vida.

Sonhar com a morte, o enterro e o velório pode ser um aviso?

Sonhar com morte, enterro e velório não precisa ser interpretado necessariamente como algo ruim. Pense que você pode estar enterrando o passado para seguir com sua vida e focar no futuro.

Significado de sonhar com a morte da mãe.

A figura da mãe em nossos sonhos remete ao amor e carinho. Dessa forma, quando você sonhar com a morte da sua mãe, é possível que esteja recebendo um sinal para mudar o posicionamento e assumir responsabilidades na vida. 

Além disso, o sonho pode estar relacionado ao sentimento de saudade, abrindo um convite para você visitar a sua figura materna ou homenageá-la.

Significado de sonhar com a morte do pai.

A figura paterna costuma representar segurança, proteção e afeto. Sonhar com a morte do pai pode ser um indício de que é preciso mais atitude e ousadia para você cuidar do seu futuro de maneira mais independente.

Sonhar com a morte: como nosso cérebro funciona durante o sonho?

O mecanismo exato que desencadeia os sonhos no cérebro ainda não foi identificado pelos cientistas.

Os sonhos se formam no tronco cerebra, e o que às vezes o faz parecer tão real é o estímulo conjunto de diferentes partes do cérebro – como ocorredurante situações cotidianas reais.

A Clínica do Sono relata que nós, seres humanos, passamos um terço de nossas e que durante o sono, nosso cérebro desempenha várias funções e faz muitas coisas enquanto dormimos.

  • Toma decisões: o cérebro é capaz de processar informação e se preparar para ações durante o sono, tomando decisões efetivas enquanto inconsciente.
  • Cria e consolida memórias: enquanto você dorme, o cérebro está ocupado gerando novas memórias, consolidando algumas mais antigas e fazendo conexões de memórias mais recentes com anteriores.
  •  Faz conexões criativas: a mente, em um estado inconsciente de descanso, pode fazer surpreendentes novas conexões que, talvez, jamais terias feito em um estado acordado.
  • Elimina toxinas: se não dormimos o suficiente, nossos cérebros não têm o tempo adequado para eliminar toxinas, o que poderia ter o efeito de acelerar doenças degenerativas do cérebro como Parkinson e Alzheimer.
  • Aprende e se lembra de atividades motoras: o que acontece durante o sono REM é que o cérebro transfere memórias de curto prazo armazenadas no córtex motor para o lobo temporal, onde se tornam memórias de longo prazo.

Registros históricos do significado dos sonhos e a morte de imperador Júlio César.

Civilizações antigas já interpretavam os sonhos e podemos comprovar através de registros históricos. A esposa do imperador romano Júlio César, Calpúrnia, teria relatado um sonho com o assassinato do marido um dia antes do acontecido, no ano de 44 a.C. 

Acredita-se que os sonhos eram considerados pelas antigas civilizações como ensinamentos de antepassados, presságios ou profecias e, através deles, as pessoas poderiam prever o futuro.

Sonhar com a morte não precisa ser um problema.

De maneira resumida, sonhar com a morte pode significar mudanças. Nós vivemos em constante aprendizado e as mudanças fazem parte do nosso cotidiano. 

A morte faz parte da vida e deve ser encarada com mais naturalidade e sem tantos tabus. As explicações sobre o significado de sonhar com a morte presentes neste texto não são científicas e não substituem, de maneira nenhuma, o acompanhamento psicológico com um profissional qualificado.

Se você está passando por um momento de luto ou por situações complexas, procure a ajuda de um profissional e cuide da sua saúde mental.

Luto e homenagens

“Luto é amor sem lugar par ir”
Jamie Anderson

A vida é um grande e indecifrável mistério. Estamos sempre prontos para a sua chegada, mas nunca prontos para a sua partida.

A morte deveria nos ensinar a transitoriedade e impermanências de todas as coisas, mas como nos faz lembrar uma antiga frase de Santo Agostinho “sofremos por derramarmos nossa alma na areia e por amarmos um mortal como se ele nunca fosse morrer.”

Sem dúvida, a mente cria recursos de sobrevivência inimagináveis e, muitas vezes, para a proteção da saúde mental, produz mecanismos de defesa, como acreditar que “quem eu amo nunca vai morrer”.

Fora do seu controle e/ou do seu consentimento, em algum momento da vida, você será convocado a viver a perda de um amor. Esse vai ser um caminho longo que você terá que percorrer sozinho. Chamamos esse processo de LUTO, que tem sido definido por estudiosos como: conjunto de reações físicas e psicológicas vividos em decorrência de uma perda significativa de algo ou alguém de grande vínculo afetivo.

Você enfrentará grandes tarefas nesse trabalho de luto, que mesmo sendo universal é absolutamente individual em seu trajeto. A primeira e talvez a mais difícil será aceitar a realidade da perda, vivenciar o pesar, os sentimentos intensos e confusos. Depois dessa, muitas outras virão e você precisa cuidar de si mesmo até para honrar a memória de que partiu.

Especialistas em luto apontam para a importância dos canais de expressões para dar espaço para a dor e para a reconstrução da nova identidade e da nova vida sem a pessoa.

É preciso compreender que não existe regra, manual e ou técnicas de superação do luto, mas falar, contar e recontar, chorar, escrever são algumas possibilidades de aplacar a dor e trazer de volta a memória e as histórias vividas com a pessoa.

Cozinhar o que a pessoa gostava, ir aos lugares preferidos dele(a), ouvir uma música de sua playlist, fazer um encontro virtual com amigos em comum para relembrar histórias, painel de fotos, vídeos, são homenagens bem-vindas nesse processo.

Fazer homenagens não expulsa a dor da ausência, mas acalma a alma e traz de volta o legado e as lembranças de quem foi esse amor. Pode trazer tristeza também, mas sela o tamanho do amor.

No livro “Luto é outra palavra para falar de amor”, Rodrigo Luz discute a forma como a cultura moderna nega e evita qualquer aproximação e conexão do enlutado com o falecido. Ao mesmo tempo afirma que encontrar maneiras adequadas e pessoais para lembrar e conectar com o falecido não é mórbido como pensam alguns: é um trabalho profundo de reencontrar lugar para aquele que morreu e fazer com que continue participando da vida dos sobreviventes por meio de histórias, celebrações e ritos, impedindo que ele morra pela segunda vez.

Os enlutados podem fazer homenagens para honrar o vínculo que fica, mesmo quando a vida daquele ente querido acabou fisicamente.

Que possamos, nesse 2 de novembro, dia de Finados, lembrar, honrar e homenagear os amores ausentes na vida, mas presentes nos nossos corações.

Este texto foi desenvolvido pelo Centro de Psicologia Maiêutica em colaboração com o Cerejeiras

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Preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de todos os seres vivos que moram nele. A Mata Atlântica é um dos biomas mais biodiversos do mundo e tem extrema importância ambiental para a regulação do clima e do abastecimento de água na região e arredores. 

Infelizmente a Mata Atlântica é também um dos biomas mais ameaçados do planeta, contando com apenas 12,5% de suas florestas originais. Não é à toa que a maioria dos animais e plantas ameaçadas de extinção do Brasil pertencem a este bioma.

Dia 27 de maio é o Dia da Mata Atlântica. A data foi instituída por Decreto Presidencial de 1999, e escolhida por proposta do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera em homenagem à Carta de São Vicente, escrita pelo Padre José de Anchieta no final de maio de 1560. Nela, o apóstolo do Brasil e um dos fundadores da Cidade de São Paulo oferece a primeira descrição detalhada da Mata Atlântica, quando compunha ainda um maciço florestal de mais de 1.100.000 km², em perfeito equilíbrio. 

Separamos alguns dos principais motivos pelos quais precisamos nos conscientizar sobre sua importância e lutar pela preservação deste bioma.

A Mata Atlântica:

  • Regula o fluxo dos mananciais hídricos
  • Assegura a fertilidade do solo da região
  • Oferece as belezas cênicas de suas paisagens
  • Controla o equilíbrio climático
  • Protege escarpas e encostas das serras
  • É fonte de alimentos e plantas medicinais
  • Proporciona lazer, ecoturismo, geração de renda e qualidade de vida
  • Preserva um imenso patrimônio histórico e cultural

A Contribuição do Cerejeiras.

No Cerejeiras, temos um compromisso com o Meio Ambiente. Dos 300.000 m2 da área total do Cerejeiras, mais de 50% do terreno é destinado à preservação e recuperação ambiental. Conservação, preservação e recuperação ambiental são alguns de nossos principais pilares.

Incentivamos e investimos constantemente no reflorestamento das áreas verdes, com o plantio de mudas de árvores nativas no bosque central e nas áreas do Cinturão Verde que cerca o Parque das Cerejeiras. Abrigamos um viveiro de mudas com espécies nativas da Mata Atlântica como parte do Projeto Vida Verde, em que convidamos o visitante a plantar uma árvore em homenagem ao ente querido falecido. Do nosso viveiro também saem as mudas utilizadas em ações de recuperação ambiental.  

Nosso objetivo é criar uma mata rica, tanto do ponto de vista do adensamento vegetal quanto da perspectiva das espécies de animais que dela dependem. Com o plantio constante de novas mudas, promovemos a aceleração de um processo natural chamado sucessão ecológica.

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Sucessão ecológica em área de floresta.

A sucessão ecológica pode ser definida como um processo gradual e progressivo de mudanças de uma floresta até que se estabeleça uma floresta em sua plenitude, em equilíbrio com seu ecossistema, chamada de floresta clímax. 

A sucessão ecológica ocorre naturalmente. No entanto, como o processo é lento, quando o objetivo é a recuperação de áreas degradadas, ela pode ser induzida pelo homem.

Cada ecossistema tem seu processo de sucessão ecológica específico. Em uma área de floresta tropical, a sucessão ecológica ocorre com as alterações de condições mais propícias ao desenvolvimento de espécies de vegetação distintas. Numa primeira etapa, desenvolvem-se as espécies pioneiras, capazes de crescer em áreas descampadas, sob influência direta da luz. Em etapas subsequentes, o ambiente será cada vez mais propício às espécies secundárias mais tolerantes à sombra, até que progressivamente se atinja o chamado clímax da floresta, com a riqueza de todas as suas diversas camadas. 

Assim, o processo de sucessão ecológica desenvolverá, em etapas ordenadas, uma floresta em seu equilíbrio pleno. Quando ocorre um distúrbio, como uma queda de árvore grande que venha a criar uma clareira, abre-se uma nova oportunidade para o desenvolvimento das espécies pioneiras, e o ciclo se reinicia.

As árvores que protagonizam a sucessão da floresta tropical são classificadas em pioneiras, secundárias iniciais, secundárias tardias e clímax.

Pioneiras.

As pioneiras são as espécies dependentes de luz. Não são adaptadas aos ambientes sombreados do sub-bosque, e por isso se estabelecem em clareiras, bordas de florestas ou na etapa inicial de um reflorestamento. Têm um crescimento rápido, vivem menos tempo (normalmente até 10 anos) e atingem uma altura de até 15 metros.

Secundárias iniciais.

As secundárias iniciais desenvolvem-se em condições de sombreamento médio, como clareiras pequenas, bordas de clareiras grandes ou de florestas, ou no sub-bosque não densamente sombreado. Em média vivem até 25 anos e atingem cerca de 15 metros de altura.

Secundárias tardias.

As secundárias tardias estão adaptadas ao sub-bosque em condições de sombra leve. Crescem mais lentamente que as secundárias iniciais e vivem mais, até 100 anos, atingindo uma altura também maior.

Clímax.

As espécies do grupo clímax são propícias para o sub-bosque em condições de sombra densa, onde podem permanecer toda a vida. Crescem lentamente, vivem mais de 50 anos, podendo se tornar árvores seculares. Atingem uma altura aproximada de 30 metros.

Diferenças entre grupos ecológicos

 

Pioneiras

Secundárias iniciais

Secundárias tardias

Clímax

crescimento

muito rápido

rápido

médio

lento ou muito lento

madeira

muito leve

leve

medianamente dura

dura e pesada

tolerância à sombra

muito intolerante

intolerante

tolerante no estágio juvenil

tolerante

tempo de vida médio

muito curto (até 10 anos) 

curto (10 a 25 anos) 

longo (25 a 100 anos)

muito longo (mais de 50 ou 100 anos) 

exemplos

(ver lista aqui)

Embaúba

Ingá-quatro-quinas ou Ingá-bravo

Araribá-amarelo

Angico-vermelho

Guapuruvu

Aroeira

Ingá-branco ou Ingá-do-brejo

Angico-branco ou Cambuí-angico

Sibipiruna

Ipê-amarelo

Ipê-roxo

Jacarandá-da-Bahia

Jatobá

Jequitibá-açu

Paineira

Pau-ferro

Cedro

Sapucaia

Pacova-de-macaco

A sucessão ecológica para recuperação de áreas degradadas.

O estudo da sucessão ecológica é muito importante para a recuperação de áreas degradadas pela ação humana, como nos casos de áreas exploradas para a mineração ou de matas ciliares destruídas. Se na área degradada não houver intervenção, ocorrerá um processo extremamente lento de sucessão primária. Por isso, em um projeto de recuperação de áreas degradadas são adotadas técnicas para transformar um processo que naturalmente seria de sucessão primária, podendo levar centenas a milhares de anos, em um processo de sucessão secundária, de uma ou poucas décadas. 

Conhecendo e manipulando as condições de implantação a interação entre as plantas pioneiras e as espécies intermediárias e tardias, o ecossistema tende a alcançar a comunidade clímax em um menor espaço de tempo. Técnicas para manipulação das sementes e da germinação, para a introdução de núcleos de recuperação, para o espaçamento adequado, entre outras, permitirão acelerar a complementação das plantas pioneiras pelas espécies secundárias e clímax.

Mudanças na vida animal pela sucessão ecológica.

A vida animal também é impactada e forma parte da sucessão ecológica. As etapas iniciais de introdução árvores pioneiras não apresentam condições para o estabelecimento de uma fauna muito diversificada. Predominam nesta fase poucos animais, como ácaros, formigas e aranhas. Na medida em que as espécies intermediárias se estabelecem, desenvolvem e diversificam, a fauna vai também aumentando em espécies, até atingir as condições de uma comunidade clímax, com muitas espécies de invertebrados, insetos, répteis, anfíbios, aves e mamíferos. Com isso, aumentam também os polinizadores e a capacidade de reprodução vegetal.

Saiba mais sobre o projeto de reflorestamento e recuperação do Cerejeiras:

O projeto de reflorestamento e recuperação do Cerejeiras começou há cerca de 20 anos, com o objetivo de promover a requalificação da biodiversidade, com o reflorestamento, enriquecimento da mata nativa e a criação de um “Cinturão Verde”. O resultado é visível: desde o início do projeto mais de 25 mil árvores já foram plantadas em ações de reflorestamento e recomposição de áreas degradadas e quem visita o Parque das Cerejeiras já pode se sentir abraçado pela floresta.

Como boa parte do nosso espaço já se encontra reflorestado com plantios que datam dos últimos 20 anos, continuamos agora o trabalho de sucessão ecológica com o enriquecimento de nossas matas com espécies secundárias e clímax. Assim almejamos ter uma floresta com alta diversidade vegetal e animal, atingindo assim o seu equilíbrio.

Ao implantar novas mudas espécies secundárias e clímax, levamos em consideração a incidência de luz, espaço físico para desenvolvimento e os trechos onde não tínhamos elevada diversidade de espécies. Assim, espécies secundárias iniciais, secundárias tardias ou clímax são distribuídas conforme o que se mostra mais propício para o reflorestamento de cada nicho do bosque.

Damos preferência a espécies nativas de Mata Atlântica para que atraiam maior variedade de animais. Entre as espécies escolhidas, estão: Ipê-amarelo, Ipê-branco, Ipê-roxo-7-folhas, Jacarandá-bico-de-pato, Jenipapo, Marmeleiro, Aroeira, Castanha do maranhão, Sibipiruna, Paineira e mais outras 20 espécies diferentes.

Nosso compromisso é continuar contribuindo para a preservação do meio ambiente através de reflorestamento, educação ambiental e propagação de conhecimento para a comunidade, pois entendemos que é nossa responsabilidade desde agora contribuir para um meio ambiente melhor para as futuras gerações.