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A Certidão de Óbito faz parte do conjunto de documentos chamado “registros vitais”. Nascimentos, casamentos, divórcios e mortes são registros vitais e documentam cada acontecimento da vida de uma pessoa, criando assim o seu histórico no Registro Civil das Pessoas Naturais

O que é Certidão de Óbito?

De acordo com a Lei dos Registros Públicos (Lei 6.015/73), o cartório emissor da Certidão de Óbito deve estar no mesmo lugar onde se deu o óbito, independentemente do local de residência do falecido. Na certidão serão registrados o nome do falecido, data e local da morte e ainda informações adicionais como idade do falecido, data de nascimento, residência, ocupação, causa da morte, informações sobre o enterro e o nome dos informantes.

Apesar de serem expressões parecidas, o Atestado de Óbito é diferente da Certidão de Óbito.

Diferenças entre Atestado de Óbito e Certidão de Óbito.

Quem pode emitir?

Certidão de Óbito é o documento comprobatório do registro da morte, e é emitido por um Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais.

O Atestado (ou declaração) é o documento que atesta a morte de uma pessoa, e pode ser emitido apenas por um médico, considerando as questões clínicas. Mesmo que a morte não tenha acontecido dentro de um hospital, apenas um médico poderá declarar o fim da vida de alguém. No Atestado de Óbito o médico deverá relatar também quais foram as causas daquela morte.

De acordo com o artigo 77 da Lei Federal dos Registros Públicos (6.015/73), em locais onde não exista um profissional médico, o atestado poderá ser feito por duas testemunhas que tiverem presenciado ou verificado a morte

Para qual procedimento será utilizado?

Sem o Atestado de Óbito não é possível realizar o sepultamento do corpo e, por isso, ele é o primeiro documento a ser emitido em todo o processo. 

Sem a Certidão de Óbito é impossível que familiares e herdeiros possam dar andamento a outras questões legais, como por exemplo:

  • Rescindir contratos residenciais e de serviços como telefonia, energia elétrica, planos de saúde e outros.
  • Apresentar em bancos para acessar contas e movimentações financeiras.
  • Encerrar pendências financeiras da pessoa falecida.
  • Efetuar pedidos de pensão e benefícios.
  • Solicitar resgate de seguros.
  • Dar entrada no inventário.
  • Requerer heranças.

Além desses motivos, somente em posse da Certidão de Óbito o viúvo ou viúva pode se casar novamente.

Prazo para a emissão da Certidão de Óbito.

A Certidão de Óbito deve ser solicitada no prazo máximo é de até 15 dias após o óbito.

Este prazo pode ser estendido até 3 meses para os lugares distantes mais de 30 (trinta) quilômetros da sede do cartório ou por qualquer outro motivo relevante. Após o prazo legal a Certidão de Óbito somente poderá ser lavrada por determinação judicial.

Como solicitar a Certidão de Óbito?

A solicitação da Certidão de Óbito pode ser feita por qualquer pessoa, mas, em geral, é feita por familiares diretos, como filhos, irmãos, pais e cônjuge ou companheiro.

Documentos necessários:

  • Atestado óbito
  • Certidão de nascimento ou casamento
  • RG
  • CPF
  • Título de eleitor
  • Número do benefício do INSS (no caso de aposentado, beneficiário ou pensionista)
  • Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS)
  • Número de inscrição no Programa de Integração Social (PIS) ou no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP)
  • Caso seja homem, Certificado de Reservista.

Preço:

A solicitação da primeira via do documento é gratuita se for feita no Cartório Civil do distrito onde ocorreu a morte, assim como acontece com as certidões de nascimento e casamento.

É possível solicitar Certidão de Óbito pela internet?

A primeira via deve ser feita presencialmente no Cartório. 

A segunda via da Certidão de Óbito pode ser solicitada online mediante pagamento.

Informações que devem estar na Certidão de Óbito:

Além das informações sobre o falecido e as circunstâncias da morte, o solicitante deverá reunir as seguintes informações para registro na Certidão de Óbito: o nome e a idade dos filhos, incluindo os já falecidos, informando se há interditos; se a pessoa falecida deixou bens; se a pessoa falecida fez testamento; e o nome do cemitério ou crematório.

A tragédia de Brumadinho e a morte presumida.

A “morte presumida” está prevista no Código Civil e é aplicada quando o cadáver não é encontrado e não há testemunha da morte. Nestes casos, há a extrema probabilidade da morte, sendo possível presumir a morte com ou sem a decretação da ausência. 

De acordo com Código Civil, a morte presumida também pode ser declarada sem a decretação da ausência nos seguintes casos:

  • Se a pessoa estiver em campanha ou for prisioneira de guerra e não for encontrada até dois anos após o término da guerra. 
  • Se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida, como por exemplo pessoas desaparecidas em naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou qualquer outra catástrofe, quando estiver provada a sua presença no local do desastre e não for possível encontrar o cadáver para exame.

Em janeiro de 2019 o rompimento da barragem de rejeitos de mineração pertencente à empresa Vale em Brumadinho, Minas Gerais, resultou em um dos maiores desastres ambientais no Brasil. A inundação causou a destruição de parte do município e a morte de centenas de pessoas. Os corpos de dezenas de pessoas permanecem desaparecidos.

Após esgotadas todas as buscas pelas equipes do corpo de bombeiros e demais profissionais, a família da pessoa desaparecida que comprovadamente estava presente na região da barragem de Brumadinho, no dia 25 de janeiro de 2019, por volta das 12:30h, pode ir à justiça em posse de todas as provas do fato e pleitear a declaração da morte presumida do ente querido. A declaração da morte presumida será, neste caso, a condição para a emissão da Certidão de Óbito.

Não deixe a documentação para depois!

Entre as muitas documentações e burocracias necessárias após o falecimento, a Certidão de Óbito é um dos documentos mais importantes. Apesar de não ser necessário apresentá-la para realizar o sepultamento, é de extrema importância que seja emitida dentro do prazo, evitando custos adicionais como multas tributárias e processos judiciais e possibilitando o início do processo de inventário e sucessão de bens. 

Conte com a equipe do Memorial Parque das Cerejeiras para tirar suas dúvidas sobre documentação e procedimentos necessários para o sepultamento. Entre em contato conosco, certamente temos a solução ideal para a sua necessidade.

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A doação de órgãos é uma das atitudes mais generosas que alguém pode ter. No entanto, muitas dúvidas ainda existem sobre como funciona a doação de órgãos. Ser um doador de órgãos significa salvar vidas, pois através desse ato de generosidade médicos conseguem reverter diagnósticos pessimistas e famílias inteiras têm a chance de continuar ao lado de seus seres queridos.

Como funciona a doação de órgãos?

A doação de órgãos acontece quando uma pessoa doente recebe um órgão ou tecido saudável de um doador. Para que a doação de órgãos seja realizada, o doador pode estar vivo ou morto. Doadores vivos podem doar apenas órgãos duplos e que não comprometam sua integridade e aptidões vitais. No caso do doador morto, é indispensável a autorização da família para que a doação de órgãos seja realizada. Além disso, é preciso que o doador tenha tido morte encefálica, que é a perda completa das funções cerebrais, constatada pela equipe médica e por exames específicos. Em ambos os casos são analisadas as compatibilidades entre doador e receptor.

Os desafios e a importância da doação de órgãos para o Sistema de Saúde

De acordo com o Ministério da Saúde, existem enormes filas de espera para receber um órgão porque a conta não fecha: muitas pessoas precisando de órgãos e poucos doadores.

A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) divulgou que, em 2018, a fila de espera contava com 32.716 pessoas. 21.962 esperavam por um rim e 8.574 estavam na fila do transplante de córnea. Naquele mesmo ano foram realizados 26.518 transplantes. 

Em 2019, mais 7.974 pacientes entraram para a lista de espera apenas no primeiro trimestre. Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes e Estatísticas de Transplantes, 806 pessoas faleceram enquanto aguardavam cirurgia.

Uma única pessoa que autoriza a doação de órgãos após seu falecimento pode salvar até 8 vidas!

Por que a doação de órgãos enfrenta tanta resistência? Como funciona a doação de órgãos?

Pessoas morrem na fila de espera de um transplante enquanto tantas outras também morrem e levam consigo seus órgãos para a sepultura. Este “desencontro” pode acontecer no mesmo hospital, no mesmo quarto de enfermaria. Resistência da família, falta de planejamento e curto período de isquemia dos órgãos são fatores que interferem e dificultam o processo. A desinformação é um dos vilões: muitos não sabem como funciona a doação de órgãos.

Por que a doação de órgãos não é autorizada pela família?

O cenário se repete diariamente em hospitais do mundo todo: a família ainda abalada pela notícia recente da perda de seu ente querido, diante do luto e muitas vezes ainda resistindo à ideia da despedida, ao ser questionada sobre a autorização para doar os órgãos, opta pela recusa.

Acreditam que a doação de órgãos vai deformar o corpo.

Movidos pelo apego humano ao corpo de quem é tão amado, alguns acreditam que a retirada dos órgãos poderá prejudicar o velório. Outros consideram um ato de violação da dignidade, desrespeitoso com o seu ente querido. Estas preocupações não se sustentam, pois todas as incisões (cortes) são fechadas após a conclusão da cirurgia, preservando a aparência física normal da pessoa ao morrer. Estes procedimentos são realizados de modo que não apareçam no corpo deformações e cortes visíveis que prejudicariam sua aparência no funeral.

O desejo de realizar a doação de órgãos não foi comunicado à família.

Muitas pessoas são a favor da doação de órgãos, entendem e defendem esta causa, no entanto, não informam a família sobre o desejo de doar os órgãos ao falecer. Comunicar esse desejo de forma clara é essencial para que a doação de órgãos seja realizada.

Falta planejamento e conversas sobre doação de órgãos.

Assim como a falta de planejamento para qualquer evento, não planejar a morte pode tornar o difícil momento do luto, além de triste, também caótico e desorganizado. É importante planejar, conversar e esclarecer muitos detalhes sobre como queremos nosso funeral, se queremos ser cremados ou enterrados e também se desejamos ser doadores de órgãos ou não. Considere que a atividade de reunir essas informações será também um convite para um momento de reflexão e para uma conversa franca com seus familiares mais próximos.

Exumação do corpo e a guarda dos restos mortais

É comum no Brasil a realização da exumação três anos após o sepultamento e a transferência dos restos mortais para uma urna de ossos. O objetivo da exumação é abrir espaço no jazigo para ter a gaveta disponível para um novo sepultamento.

No caso de jazigos emprestados, alugados ou de sepultados em quadra geral de cemitérios públicos, é comum a transferência dos restos mortais para um ossuário após a realização da exumação.

Para saber mais sobre a exumação e ossuário, não deixe de conferir nossos blogs: “Exumação: O que é? O que fazer com os restos mortais?” e “O que é um Ossuário? Como funciona e quanto custa?”.

Curto tempo para doação de órgãos: entre a retirada e sua implantação.

Isquemia é a falta de sangue em um tecido devido a obstrução (coágulo). O tempo de isquemia determina o prazo-limite para retirada de um órgão e transplante deste em outra pessoa. Para o coração, por exemplo, temos apenas 4 horas para que o processo seja finalizado. Considerando autorização, logística, disponibilidade de profissionais e teste de compatibilidade, a corrida contra o tempo é crucial para a doação de órgãos ser realizada.

Como a lei regula a doação de órgãos no Brasil?

A Lei n° 9.434/1997 é o principal instrumento legal para a regulação da doação de órgãos no Brasil. 

De acordo com a lei atual, a retirada de tecidos e órgãos de pessoas falecidas para transplantes dependerá da autorização do cônjuge ou parente, maior de idade, obedecida a linha sucessória, até o segundo grau. Ou seja, a autorização é dada pelos familiares próximos do doador (cônjuges, filhos, irmãos, pais), o que pode gerar a desconsideração da vontade do falecido, ou discordância entre os familiares para o ato de doação.

Em março de 2021 havia dois projetos de lei no Congresso Nacional para alterar essa regra de consentimento. Um deles, de autoria do senador Lasier Martins (PSD/RS), propõe que a família não pode interferir na retirada de órgãos de uma pessoa com morte cerebral que tenha manifestado em vida a vontade de ser doadora. Seu objetivo é tornar explícito que o consentimento familiar só será exigido quando o potencial doador não tenha se manifestado expressa e validamente a respeito. Outro projeto, de autoria do senador Major Olímpio (PSL/SP), considera que a presunção legal deve ser pela vontade de doar os órgãos. Assim, quem não quiser ser doador terá a obrigação de registrá-lo em documento público.

Como posso ser um doador de órgãos e quais órgãos posso doar?

Como já mencionado, a legislação brasileira apenas permite a doação de órgãos quando a família autoriza. Isso significa que qualquer declaração por escrito, carteirinha de doador de órgãos, testamento, redes sociais ou qualquer outro documento pode não valer na hora da autorização. Por isso, muito mais do que qualquer registro, é importante conversar com sua família sobre o tema e expressar seu desejo para quando sua hora chegar. Isso inclui não apenas a vontade de doar órgãos, mas também as suas preferências em relação ao sepultamento, velório e até se prefere ser cremado, por exemplo.

Ser um doador de órgãos após o falecimento.

Após confirmada morte cerebral, podem ser doados órgãos como: rins, coração, pulmão, pâncreas, fígado e intestino. Os tecidos também podem ser doados: córneas, válvulas cardíacas, ossos, músculos, tendões, pele, veias e artérias.

Ser um doador de órgãos em vida.

Órgãos e tecidos também podem ser doados em vida, como por exemplo: rim, pâncreas (parcialmente), fígado (apenas parte dele, em torno de 70%), pulmão (apenas parte dele, em situações excepcionais) e medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue).

Os órgãos doados em vida podem ser recebidos por cônjuges, companheiros ou parentes até o quarto grau, na linha reta ou colateral. Em caso de receptor não aparentado, é necessária uma autorização judicial.

É importante ressaltar que a compra ou venda de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano é crime.

Gratuidade para funeral de doador de órgãos em São Paulo.

De acordo com a Lei municipal n° 11.479/94, na cidade de São Paulo a família do doador de órgãos não precisará pagar taxas relacionadas ao funeral de seu ente querido. A lei se aplica para sepultamento e aluguel de jazigo em quadra geral (cova rasa) em certos cemitérios públicos da cidade.

Campanha de doação de órgãos com um milionário – “Não enterre seus bens mais preciosos”.

“Decidi fazer como os faraós: essa semana vou enterrar meu carro favorito, o Bentley, aqui no jardim de casa!! Enterrar meu tesouro no meu palácio rssss”.

Com esta publicação em suas redes sociais Chiquinho Scarpa (socialite brasileiro) protagonizou em 2013 uma das campanhas de doação de órgãos mais bem-sucedidas do país. 

Após esta postagem, Chiquinho mostrou a imagem de uma cova no jardim de sua mansão em São Paulo. No dia seguinte, Scarpa apareceu manobrando uma escavadeira no próprio quintal. “Como não deu para terminar o buraco no braço, chamei uma escavadeira!!!”, escreveu em suas redes sociais.

Diversos canais de televisão, redes sociais e muitos meios de comunicação noticiaram a ação e a opinião pública foi unânime: enterrar um carro de luxo avaliado em R$ 1,5 milhão era um desperdício, uma loucura, insanidade. Chiquinho foi duramente criticado e replicava dizendo que tinha se inspirado após assistir um documentário sobre o Egito Antigo e queria ser enterrado como os Faraós, ao lado de suas riquezas.  

Coroas de flores foram colocadas em volta da “sepultura”. No dia programado para o enterro, Chiquinho Scarpa saiu da casa, foi até o quintal e assistiu a colocação do Bentley dentro da cova. Emocionado, ele limpava os olhos com um lenço. Antes que a primeira pá de terra fosse lançada, convidou os jornalistas para dentro da mansão, onde anunciou a campanha pela doação de órgãos e informou que seu carro não seria enterrado.

Em seu marcante discurso, disse:

“Eu fui julgado por querer enterrar uma Bentley, mas a verdade é que a grande maioria das pessoas enterra coisas muito mais valiosas que meu carro. Elas enterram corações, rins, fígados, pulmões, olhos. Isso sim que é um absurdo. Com tanta gente esperando por um transplante, você ser enterrado com seus órgãos saudáveis que poderiam salvar a vida de várias pessoas, é o maior desperdício do mundo. O meu Bentley não vale nada perto disso. Nenhuma riqueza, por maior que seja, é mais valiosa que um único órgão, porque nada é mais valioso do que uma vida”.

Diversas campanhas de doação de órgãos são criadas no Brasil e todas fazem o mesmo apelo: conscientização e informação. A conscientização sobre a importância de ser um doador de órgãos e manter seus familiares informados sobre seu desejo são fatores importantes e decisivos para que possamos mudar a história dos que estão na fila de transplante.

O Cerejeiras quer te ajudar – conheça o Guia Prático para a Despedida.

Cientes disso e com grande experiência, nós do Memorial Parque das Cerejeiras desenvolvemos o Guia Prático para a Despedida. Nele você pode deixar anotado dados importantes e cruciais que ajudarão a sua família no momento da sua partida. Com ele será mais fácil encontrar documentos, comprovantes e também detalhar seus desejos referentes ao funeral. Este material pode ser utilizado, antes de tudo, para iniciar uma abordagem tranquila com sua família a respeito da única certeza que temos: um dia não estaremos mais aqui. Confira nosso material sobre planejamento para a morte e saiba como receber o Guia Prático para a Despedida.

A vida precisa continuar.

Agora que você conhece um pouco mais sobre o assunto e já sabe como funciona a doação de órgãos, não desperdice seu bem mais precioso: seja um doador de órgãos. Nossa existência é finita e estamos de passagem por este mundo. Nós temos apenas uma vida, mas nossos órgãos podem ter duas!

Imagem de uma criança segurando a mão de um adulto.

“Infância” e “luto” são palavras que, à primeira vista, parecem incompatíveis. A infância evoca alegria, crescimento, inocência e descobertas. Como então permitir que sentimentos como tristeza, frustração e sofrimento façam parte dessa fase da vida? Como contar a uma criança que alguém que ela ama morreu? Como falar sobre morte e finitude? Como protegê-la do sofrimento e da dor?

No livro A criança diante da morte: desafios (1999), Wilma da Costa Torres busca compreender os desafios do luto infantil e propõe caminhos para uma melhor intervenção. A autora reúne questionamentos de diversos estudiosos: Quando começa a percepção da morte para a criança? Como ela lida com a perda em diferentes fases do desenvolvimento? Que impactos essa experiência pode ter sobre seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e na formação de sua personalidade?

Luto na infância e a compreensão da finitude.

Todos nós vamos morrer e esse evento é tão natural como nascer, crescer, estudar, trabalhar e ter filhos. No entanto, a ideia de finitude produz medo e terror. Como se fosse uma certeza plena e, ao mesmo tempo, um mistério incompreensível, vamos lidando com o tema “morte” como um tabu e nos recusando a pensar nela.

Inevitavelmente, um dia a morte acontece com pessoas próximas às crianças e, neste momento, o adulto é convocado a lidar com a difícil equação “morte vs. infância”. Muitas dúvidas surgem: “Devo falar sobre a morte para a criança”? “Como ela entenderá a morte”?  “Devo trazê-la ao velório”? “Será bom que me veja chorando”? 

Se fosse possível, evitaríamos que as crianças passassem por este momento, mas não podemos poupá-las.

Como falar sobre luto e morte para a criança?

Embora doloroso, o tema da morte não deve ser evitado com as crianças. Falar sobre ela é essencial para ajudá-las a compreender o mundo e lidar com a perda.

As crianças são observadoras aguçadas: captam gestos, olhares e silêncios. Constroem hipóteses sobre o que veem e ouvem, pois estão em pleno processo de aprendizado. Falar de forma aberta e sensível é um gesto de cuidado.

O luto infantil é diferente do luto na idade adulta.

O luto é uma experiência individual, mas no caso da criança ele também é condicionado pelo estágio de desenvolvimento cognitivo e pelas vivências anteriores. Nas crianças menores, a ausência contínua ou prolongada da pessoa amada costuma ser o gatilho do processo de luto. Cada idade exige uma abordagem específica.

Luto na infância: como a morte é compreendida nos diferentes estágios de desenvolvimento cognitivo e psicológico.

 

  • Até os 2 anos (fase sensório-motora):

Ainda sem linguagem verbal, o bebê percebe a ausência como falta. O luto se manifesta por alterações no sono, alimentação e comportamento.

  • De 2 a 7 anos:

A morte é vista como algo temporário ou reversível, frequentemente associada ao sono. A criança pode acreditar que seus pensamentos ou ações causaram a morte. O pensamento é mágico, literal e egocêntrico.

  • De 7 a 10 anos:

A criança começa a entender a morte como irreversível. Já distingue entre o que está vivo e o que não está, entende causa e efeito e demonstra curiosidade sobre os rituais de despedida.

  • Após os 10 anos:

O pensamento é mais abstrato. A criança reconhece a universalidade e a irreversibilidade da morte e pode participar com mais clareza das conversas e rituais.

Como dar a notícia da morte a uma criança.

Alguns cuidados são importantes ao comunicar a morte de alguém:

  • Escolha uma pessoa próxima, com equilíbrio emocional, para dar a notícia.
  • Mantenha contato físico, acolha a criança nos braços.
  • Use a palavra “morte” — evite eufemismos como “dormiu”, “viajou”, “foi embora”.
  • Não entre em detalhes, principalmente se houver violência envolvida.
  • Dê espaço para que ela pergunte e expresse seus sentimentos.

Como as crianças reagem à notícia da morte.

As reações infantis são diferentes das adultas, mas a dor está presente. Muitas vezes, os adultos acham que a criança não sente a perda. Isso é um engano. A criança vive a saudade, sente tristeza, raiva, culpa, medo — e precisa de suporte emocional para lidar com tudo isso.

A saudade de quem partiu.

Crianças pequenas demoram mais para compreender racionalmente a morte. A ausência costuma ser sentida de forma crescente. Com o tempo, começam a dar nome ao sentimento: “saudade”.

A raiva e o sentimento de abandono.

Algumas crianças sentem-se abandonadas e ficam com raiva da pessoa que morreu. Podem tornar-se agressivas ou apresentar sentimentos de culpa, acreditando terem causado a morte com suas ações. É comum, inclusive, que tentem “resolver” a dor com soluções mágicas — como desejar ir ao céu buscar quem faleceu.

O medo e o apego após a perda.

A perda pode provocar medo de novas separações. A criança pode não querer se afastar de quem ama, recusando-se a ir à escola, por exemplo. Esse comportamento tende a desaparecer com o tempo, mas exige paciência e escuta ativa por parte da família.

Criar espaços de diálogo é essencial para que a criança compartilhe seus sentimentos com segurança.

Levar ou não a criança ao velório?

A criança pode, sim, ir ao velório, desde que queira — nunca deve ser forçada.

Antes, o adulto deve explicar o que encontrará lá, com palavras simples: o corpo da pessoa ficará numa caixa especial, por um tempo, para despedidas. Haverá pessoas chorando porque estão tristes, mas o corpo não sente mais dor ou frio. 

Após a explicação, pergunte se ela deseja ir. Caso aceite, acompanhe-a com sensibilidade.

Chorar na frente da criança: devo evitar?

Não. Chorar na frente da criança é natural e necessário. Mostra a ela que é normal sentir dor e expressá-la. Esse exemplo facilita que a criança também viva seu luto de forma verdadeira e menos solitária.

Falar sobre a morte não é agradável — mas é necessário

Assim como educamos para a vida, precisamos também ensinar sobre a finitude. Preparar emocionalmente uma criança para o luto é um ato de amor, que pode fortalecer seus recursos internos para enfrentar a dor, hoje e no futuro.

Este texto foi desenvolvido pelo Centro de Psicologia Maiêutica em colaboração com o Cerejeiras

Escultura artística ao ar livre com estrutura de coração e cobertura em formato de sombrinha, decorada com rosas vermelhas, rodeada de árvores e céu claro.
Cemitério Parque das Cerejeiras

O processo de luto na pandemia e a importância das homenagens e rituais de despedida para as famílias enlutadas.

Os rituais de despedida como velório, enterro e homenagens fazem parte do processo de luto e são etapas importantes para nos ajudar no processo de aceitação da partida do ente querido. No momento de dor e profunda tristeza, o consolo recebido por parentes e amigos durante o velório é indispensável para a família enlutada enfrentar a crise.

O avanço da pandemia do coronavírus afetou profundamente o processo de luto. A impossibilidade de velar e até mesmo de comparecer ao enterro dos entes queridos torna o processo de luto ainda mais complicado. A dor da perda se agiganta e pode tomar proporções inimagináveis.

Processo de luto na pandemia: a dura realidade das famílias enlutadas.

O luto é uma fase que precisa ser vivida para ser superada. Nenhuma perda é igual a outra, mas sim uma experiência única e puramente individual. Especialistas afirmam que famílias enlutadas vão precisar de apoio extra, pois além do fim do convívio com um ente querido, carregam também incertezas e a falta de informação. 

Devido ao risco de contágio, atualmente os corpos estão sendo enterrados em caixões lacrados e os velórios estão suspensos ou restritos. As pessoas não estão podendo se despedir de quem tanto amam. Entre os parentes e amigos das vítimas falta aquele abraço apertado que ajuda a consolar o pesar.

Como ajudar as famílias enlutadas durante a pandemia?

Não podemos nos abraçar por enquanto, mas se você perdeu alguém ou está acompanhando uma família no processo de luto na pandemia, separamos algumas estratégias que podem ajudar:

  • Fazer um painel de fotos e mandar para os amigos mais próximos.
  • Enviar uma pequena mensagem para a família de quem faleceu dizendo o quanto você gostaria de estar com eles neste momento. 
  • Compartilhar com amigos fotos que lembrem momentos vividos com a pessoa que faleceu. 
  • Compartilhar músicas que a pessoa mais gostava. 
  • Fazer um jantar em homenagem, com a comida de preferência dela e dividir virtualmente. 
  • Trocar vídeos e histórias engraçadas ou relevantes com os mais próximos. 
  • Planejar uma homenagem presencial para quando pudermos sair do isolamento social gerado pela pandemia.

A coordenadora do laboratório de estudos sobre o luto da PUC-SP, Maria Helena Franco, explica que algumas pessoas podem ter mais dificuldades de elaborar estes processos, mas é preciso contar com um recurso que o ser humano tem: a capacidade de simbolizar. “Se eu não tenho no concreto, posso buscar no simbólico. Não será exatamente como aquela pessoa gostaria, mas será o possível. Se não pode participar do sepultamento, no futuro pode ir ao cemitério, ou local onde colocaram as cinzas. É importante perceber que os vínculos permanecem e podemos buscar outras formas de simbolizar aquele luto”.

Nossas palavras, especialmente para você...

Nós do Memorial Parque das Cerejeiras gostaríamos de reforçar nosso compromisso com as famílias enlutadas e compartilhar nosso pesar e nosso apoio a todos que estão passando por este momento tão delicado. Muitas pessoas hoje vivem a angústia de ter algum familiar ou amigo internado no hospital e tantas já perderam seus entes queridos.

Sabemos que a morte é ainda um grande mistério. Contudo, vimos que diante da ameaça de uma pequena e destrutiva força da natureza em forma de vírus (COVID-19) podemos muito menos do que pensamos e o imponderável acaba por nos governar.

Um dos grandes agravantes deste cruel cenário neste momento de pandemia são as famílias que não podem acompanhar e enterrar seus mortos. Basta observarmos os rituais de despedida criados por diversas espécies de animais (racionais ou não) para entender que a própria Natureza nos ensina que devemos cuidar de nossos entes queridos. 

Mais do que ninguém, nós entendemos a importância de viver o luto, de se entregar às emoções, de se recolher em lembranças e enfrentar a reviravolta que a morte de um ser querido causa em nossas vidas e nossas emoções. Sabemos que o velório e o sepultamento têm uma função psicológica importante para a família e amigos. Se eles não podem acontecer da forma tradicional, podemos criar e adaptar outras ações simbólicas que cumprem a função dos rituais de despedidas e homenagens.

Conte com o Cerejeiras: nós estamos aqui por você!

Diariamente, nosso trabalho é fornecer apoio aos enlutados e tornar a despedida um momento também bonito e cheio de homenagens, sempre com muito respeito e sensibilidade. O cenário em que estamos vivendo nos faz redobrar nosso empenho para que, mesmo dentro das limitações, cada família encontre uma maneira de se despedir carinhosamente de seu ente querido e receba o apoio necessário em seu processo de luto.

Estamos preparando um memorial especial para que, depois desses tempos difíceis, as famílias e amigos possam fazer suas homenagens devidamente. 

Em nosso espaço verde será possível plantar uma árvore em memória de quem tanto amamos para que cada família possa lembrar que a vida tem seus ciclos, mas sempre continua através de cada um de nós. 

O texto acima foi preparado com o apoio do nosso parceiro Centro de Psicologia Maiêutica para que pudéssemos, de alguma maneira, ajudar com nossas palavras e oferecer consolo e estratégias para que nossos leitores sintam que não estão sozinhos.

Indicamos também alguns de nossos textos e materiais que podem te ajudar ou ajudar alguém que você saiba que precisa receber apoio neste momento:

– “Passos para superar o luto

– “Suporte ao Luto no Cerejeiras” 

– “A dor da perda: orientações para ajudar uma pessoa em luto

– “Sobre a Família em Luto

Este texto foi desenvolvido pelo Centro de Psicologia Maiêutica em colaboração com o Cerejeiras

Mãos de diferentes idades segurando uma mão envelhecida, simbolizando cuidado, amor e conexão entre gerações.

Cuidados paliativos, de acordo com o dicionário, são os cuidados “que têm a qualidade de acalmar, de abrandar temporariamente um mal”. Na medicina, o termo cuidado paliativo também é conhecido como um conjunto de práticas assistenciais oferecidas aos pacientes terminais que têm como objetivo oferecer dignidade e diminuição do sofrimento decorrente da doença grave ou incurável.

Os cuidados paliativos são multidimensionais, ou seja, abrangem as dimensões física, emocional, familiar, social e espiritual. Segundo a Organização Mundial de Saúde, Cuidado Paliativo é a assistência integral oferecida para pacientes e familiares quando diante de uma doença grave que ameace a continuidade da vida.

Qual especialidade médica faz cuidados paliativos e quais profissionais podem estar envolvidos?

Quando é dito que os cuidados paliativos precisam de equipes multiprofissionais e interdisciplinares, o que se quer dizer é que são necessários diversos profissionais para que, de maneira interligada e integrada, consigam colaborar no cuidado com a saúde física, psíquica e emocional dos pacientes.

Fisioterapeutas, por exemplo, colaboram com o aspecto físico. Em doenças graves ou terminais, é comum que o corpo fique mais debilitado por conta de medicamentos, quimioterapias, radioterapias, entre outros.

Com a fisioterapia paliativa, serão inseridos na rotina do paciente exercícios específicos para as necessidades de seu corpo, respeitando seus limites. Técnicas manuais também são utilizadas por fisioterapeutas com o intuito de reduzir a tensão e dores corporais, além de ajudar a melhorar a circulação sanguínea, entre outros benefícios.

Nutricionistas também são exemplos de profissionais que fazem parte de equipes de cuidados paliativos. Por causa do tratamento da doença, os pacientes podem ter náuseas, vômitos, enjoos, constipação intestinal, diarreia ou mesmo não conseguir absorver os nutrientes necessários.

Diante dessa situação, o nutricionista vai analisar qual é a melhor dieta para que o paciente não sofra com esses efeitos. Além disso, ele também ajuda a evitar ou regredir casos de anemia e desidratação, bem como a manter o peso da pessoa em tratamento.

Psicólogos e psicanalistas são um grande suporte no que diz respeito aos cuidados paliativos relacionados à mente e às emoções. Lidar com uma doença nunca é fácil, ainda mais aquelas que são progressivas ou que não tem cura, porque trazem à tona o tema da morte e sua iminência. Com ela, vem o medo, a angústia, a ansiedade, a tristeza, a indignação e tantos sentimentos mais.

Esses profissionais auxiliam a lidar com eles, dando suporte aos pacientes sem qualquer julgamento sobre o que estão sentindo. Pelo contrário, eles vão acolher e oferecer suporte para atravessar esse momento delicado.

Psicólogos e psicanalistas, da mesma forma, são essenciais para a saúde psíquica da família, pois os mesmos sentimentos que o enfermo experimenta também são vividos por aqueles que o acompanham de perto. No momento do luto, eles são igualmente importantes para dar acolhimento e força para quem perdeu um ente querido e enfrenta a dor da perda.

Como funciona o cuidado paliativo?

O objetivo de oferecer cuidados paliativos está relacionado ao bem-estar integral dos pacientes que recebem o diagnóstico de uma doença grave que ameace a continuidade da vida.

Pacientes em busca da cura ou controle da doença também recebem cuidados paliativos, assim como os que já receberam a avaliação médica de que não há mais tratamento que proporcione a cura da enfermidade.

Quem pode receber os cuidados paliativos e onde é feito o acompanhamento?

Pacientes com doenças cardíacas, oncológicas, pulmonares, neurológicas, AIDS, diabetes, síndromes das mais diversas e outras condições médicas podem se beneficiar desse tratamento, estejam ou não lidando com o fim de suas vidas.

A abordagem dos cuidados paliativos pode ser realizada em casa, no hospital, em uma instituição de longa permanência (hospice) ou em uma unidade de saúde. O local mais indicado é onde o paciente se sentir mais confortável.

Cuidados paliativos em oncologia.

O câncer traz muita dor e sofrimento tanto para o paciente oncológico como para os seus familiares. Doença crônica e progressiva, o câncer é um problema de saúde pública mundial e a segunda causa de morte no Brasil segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). São esperados 704 mil novos casos da doença no País para cada ano do triênio 2023-2025, com destaque para as regiões Sul e Sudeste, que concentram cerca de 70% da incidência.

Os cuidados paliativos em oncologia podem proporcionar uma melhor qualidade de vida, minimizar o sofrimento e amparar as angústias frente a esse processo bastante impactante na vida das pessoas.

Para pôr em prática a abordagem paliativa, devido a sua complexidade, é necessário que haja uma interatividade entre o enfermo e a família com toda a equipe multidisciplinar a partir de uma comunicação, tanto verbal como não-verbal, franca e honesta a fim do estabelecimento de um vínculo e uma relação médico-paciente de confiança, contribuindo para a oferta de um cuidado humanizado onde o paciente não deve ser considerado apenas como um corpo doente, mas como uma pessoa que carrega consigo uma história de vida constituída de medos, anseios e desejos.

Conheça os principais objetivos dos cuidados paliativos.

A Resolução nº 41/2018 do Ministério da Saúde resume bem quais são os principais princípios que norteiam os cuidados paliativos. Entre eles, estão a promoção do alívio da dor física, psicossocial, espiritual e existencial do paciente e de seus familiares e cuidadores, a aceitação do curso natural da vida, assim como a aceitação da doença, sem acelerar ou retardar a morte.

Outro ponto importante que a resolução cita como princípio dos cuidados paliativos é promover a qualidade de vida do paciente e seu bem-estar, enquanto lida com a doença que foi diagnosticada. Esse aspecto leva a outro objetivo, o de permitir que o paciente seja o mais autônomo e ativo possível nesse período. É necessário também respeitar as decisões e preferências do indivíduo, mantendo sempre uma comunicação empática e sensível.

Saúde pública oferece cuidados paliativos desde 2018.

O Sistema Único de Saúde (SUS) já oferta cuidados paliativos em sua rede por meio de equipe multiprofissional e interdisciplinar. O propósito é que pacientes de doenças como câncer, Alzheimer e Parkinson, recebam esse modelo de tratamento a partir do diagnóstico da enfermidade, colaborando desde o início para que haja menos sofrimento ao enfermo e também para sua família. Um exemplo é o acompanhamento psicológico, que pretende auxiliar na redução do padecimento psíquico do paciente e seus familiares, inclusive no momento de luto.

Se quiser mais informações a respeito dos cuidados paliativos oferecidos pelo SUS, vá até a UBS mais próxima de sua residência.

Princípios dos cuidados paliativos.

  • Respeitar a dignidade e autonomia dos pacientes.
  • Honrar o direito do paciente de escolher entre os tratamentos, incluindo aqueles que podem ou não prolongar a vida.
  • Comunicar-se de maneira clara e cuidadosa com os pacientes, suas famílias e seus cuidadores.
  • Identificar os principais objetivos dos cuidados de saúde a partir do ponto de vista do paciente.
  • Prover o controle impecável da dor e de outros sintomas de sofrimento físico.
  • Reconhecer, avaliar, discutir e oferecer acesso a serviços para o atendimento psicológico, social e questões espirituais.
  • Proporcionar o acesso ao apoio terapêutico, abrangendo o espectro de vida através de tratamentos de final de vida que proporcionem melhora na qualidade de vida percebida pelo paciente, por sua família e seus cuidadores.
  • Organizar os cuidados de modo a promover a continuidade dos cuidados oferecidos ao paciente e sua família, sejam estes cuidados realizados no hospital, no consultório, em casa ou em outra instituição de saúde.
  • Manter uma atitude de suporte educacional a todos os envolvidos nos cuidados diretos com o paciente.

Como os cuidados paliativos ajudam a superar o luto?

Quem já passou ou está passando por isso sabe bem que diante de uma situação de doença grave, todos sofrem. Desde o paciente que precisa suportar o tratamento até os familiares e amigos íntimos, que sofrem por ver um ente querido passando por momentos tão difíceis e com a possibilidade até de morte: todos precisam de suporte.

Os cuidados paliativos servem para trazer conforto tanto ao doente quanto aos familiares além de ajudar a superar o luto nos casos em que a cura não acontece.

O grupo de profissionais que oferece os cuidados paliativos ajuda a lidar com a iminência da morte. O psicólogo, por exemplo, pode prover suporte emocional para o enfrentamento da doença e/ou falecimento, quebrando o silêncio, o medo e a angústia que envolvem as situações de agravamento dos sintomas e a perspectiva de morte.

O acompanhamento psicológico em conjunto com a equipe multidisciplinar minimiza, dentro do possível, a ansiedade, a tristeza, a angústia e o sofrimento pela perda do ente querido. Este tipo de atendimento orienta reações e atitudes e torna-se um alívio e uma força para superar o luto.

Os cuidados paliativos oferecem suporte ao luto que antecede a morte, ajudando no processo de despedida do ente querido.

Literatura sobre cuidados paliativos: “A morte é um dia que vale a pena viver”

No livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, Ana Cláudia Quintana Arantes, médica especialista em cuidados paliativos, compartilha suas experiências pessoais e profissionais e incentiva as pessoas a cultivar relacionamentos saudáveis, cuidar de si mesmas com a mesma dedicação com que cuidam de seus parentes e amigos, e tentar ter hábitos saudáveis, sem desistir de fazer o que desejam e os faz felizes.

Dra. Ana Cláudia fala sobre a finitude da vida de maneira leve, poética e livre de tabus. Apesar da morte ainda ser o maior medo (e a única certeza) da maioria das pessoas, o livro nos convida a refletir que a grande questão envolvendo a morte é a vida e a maneira em que traçamos a nossa jornada, do início ao final.

Em uma época em que somos diariamente confrontados com a sensação de que o tempo está “passando rápido demais”, a reflexão pertinente sobre morte e vida nos ajuda a despertar e entender que o presente e o caminhar valem a pena ser percebidos tal como são: uma jornada no tempo presente que vale a pena ser vivido a cada instante.

Cuidados paliativos na mídia.

No documentário “Antes do sol se pôr”, os cuidados paliativos são tema central da história. Pessoas que convivem com alguma doença incurável ou que é progressiva relatam sobre suas experiências de vida com os cuidados paliativos, seja como o paciente ou como o profissional que o acompanha.

Antigamente, era comum que os médicos assinassem um prontuário que dizia “regime higieno-sanitário” para os pacientes com doenças sem cura. Isso significava que eles deveriam voltar para casa e serem cuidados pela família até seus últimos momentos, porque não havia mais o que o hospital pudesse fazer. Esse período costumava ser muito doloroso para os pacientes, que não tinham qualquer tipo de auxílio que os ajudasse a lidar com os sintomas a que estavam submetidos.

Mas, a partir da década de 1960, principalmente na Europa, os cuidados paliativos começaram a ser aplicados em pessoas que estivessem lidando com doenças terminais como forma de ajudar a diminuir as dores físicas, psíquicas e emocionais. Hoje, com o avanço medicinal, os cuidados paliativos são indicados não só para esse tipo de paciente, mas também para aqueles que possuem doenças graves ou de difícil tratamento.

Cuidados paliativos para gerar maior qualidade de vida.

Por causa de desinformação, muitas pessoas pensam que os cuidados paliativos são apenas para quem está no fim da vida. Isso não é verdade. O principal objetivo é oferecer um maior bem-estar e qualidade de vida por meio do alívio da dor e dos sintomas.

Dessa forma, os cuidados paliativos possuem foco no ser humano e em seu conforto e não na doença em si. Por isso, eles vão de acordo com as necessidades de cada um, com as dificuldades que enfrenta e que precisam ser atenuadas.

Suporte ao luto é importante para nós! Apoio ao enlutado no Memorial Parque das Cerejeiras.

O suporte oferecido pelo Cerejeiras envolve preparação (antes), dedicação (durante) e elaboração (depois). Todas estas etapas são parte do processo de aceitação, de abrandamento da dor, de consolação, e de busca da paz e tranquilidade em face do evento.

Oferecemos palestras com profissionais da psicologia especializados em luto. Por meio de grupos de apoio ao enlutado, auxiliamos na abertura para a discussão coletiva e para a compreensão do significado da perda. “Conversando sobre a Dor da Perda” é um dos materiais informativos que disponibilizamos com informação relevante preparada por nossos especialistas.

Iniciativas como o Projeto Vida Verde e os painéis de homenagens contribuem para simbolizar a permanência da memória do falecido. Nosso foco é propiciar ferramentas para processar o momento do luto, para amparar emocional e espiritualmente, para superar o trauma representado pela perda.

Entre em contato conosco e conheça nosso trabalho!